Alerta Crítico: Exploit em Chips Unisoc Permite Acesso Total ao Kernel Android Via Chamada VoLTE
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A revelação da SSD Secure Disclosure expõe uma cadeia de ataque complexa, mas altamente eficaz, contra chips Unisoc. O exploit de duas fases começa com uma vulnerabilidade de execução remota de código (RCE) no firmware do modem, já conhecida desde março de 2026. A novidade agora é a fase seguinte: após obter o controle do modem, os invasores utilizam uma chamada de vídeo VoLTE maliciosa para escalar privilégios. Isso acontece manipulando a Unidade de Proteção de Memória (MPU) ARM do modem, escrevendo uma configuração que permite ao modem ler, escrever e executar em todo o espaço de endereço físico de 32 bits, incluindo as áreas onde o kernel Android reside.
A condição que permite este escalonamento é uma falha arquitetural: o modem e o processador de aplicação (que roda o Android) compartilham a mesma memória física, sem isolamento por hardware que impeça o modem de acessar a memória do kernel. Assim, um atacante com uma rede 4G maliciosa e que consiga induzir a vítima a atender uma chamada VoLTE, pode obter controle total do kernel Android em dispositivos com chips Unisoc. A vulnerabilidade é classificada como CWE-1189 (Isolamento Inadequado de Recursos Compartilhados em System-on-a-Chip), mas ainda não possui um identificador CVE.
O que mudou
A cobertura de segurança da Unisoc evoluiu de uma descoberta de execução remota de código (RCE) no firmware do modem em março de 2026 para uma ameaça muito mais grave. Naquele momento, a falha permitia a execução de código no nível do modem. Agora, a SSD Secure Disclosure demonstrou que essa vulnerabilidade inicial é apenas o primeiro passo de uma cadeia de ataque que culmina no acesso completo ao kernel Android. O que era um controle de modem se tornou uma tomada total do dispositivo, utilizando o mesmo modem como porta de entrada para manipular a MPU e escalar privilégios até o coração do sistema operacional.
Por que isso importa
Esta falha é crítica porque dá controle total do kernel Android aos atacantes, tornando os dispositivos completamente comprometidos. Isso significa acesso irrestrito a dados pessoais, capacidade de instalar malwares persistentes e monitoramento completo das atividades do usuário. Marcas populares como Motorola, Realme e Xiaomi, que utilizam chips Unisoc, têm milhões de dispositivos vulneráveis globalmente. A falta de resposta da Unisoc e a ausência de patches deixam os usuários desprotegidos, dependendo da iniciativa dos fabricantes para emitir atualizações de firmware que, até o momento, não foram disponibilizadas.
Linha do tempo
Vulnerabilidade no modem Unisoc (CVE-2022-20210) é descoberta e corrigida via Android Security Bulletin.
UNISOC emite alerta CVE-2025-31718 sobre falha de validação de entrada no modem em mesma família de chipsets.
Pesquisa da Kaspersky ICS CERT documenta condição arquitetural similar em chip Unisoc UIS7862A, permitindo modificação do kernel Android.
SSD Secure Disclosure revela execução remota de código no firmware do modem Unisoc via chamada SIP malformada.
SSD Secure Disclosure revela exploit completo em chips Unisoc, permitindo acesso total ao kernel Android via chamada VoLTE.
Perguntas frequentes
O que é o exploit nos chips Unisoc e como ele funciona?
É uma cadeia de ataque de duas fases que permite o acesso completo ao kernel Android. Primeiro, usa uma vulnerabilidade de execução remota de código no firmware do modem. Em seguida, através de uma chamada de vídeo VoLTE maliciosa, manipula a Unidade de Proteção de Memória (MPU) para obter controle total sobre o kernel do Android.
Quais dispositivos são afetados por esta vulnerabilidade?
Dispositivos que utilizam chips Unisoc estão vulneráveis, incluindo modelos populares como Motorola E13 (com chip T606), Realme C33 (T612) e Xiaomi Redmi A5 (T7250). A Unisoc fornece componentes para diversas marcas em mais de 140 países.
O que os usuários podem fazer para se proteger, já que não há patch?
Atualmente, não há um patch ou mitigação disponível diretamente da Unisoc ou dos fabricantes dos dispositivos. Os usuários devem ficar atentos a comunicados de seus fabricantes sobre atualizações de firmware e sistema operacional. Evitar atender chamadas de vídeo VoLTE de números desconhecidos pode ser uma medida de precaução, mas a falha é estrutural.
Por que a Unisoc não corrigiu a falha?
Os pesquisadores da SSD Secure Disclosure afirmam que tentaram entrar em contato com a Unisoc por múltiplos canais, mas não obtiveram resposta. A empresa ainda não emitiu uma correção ou comunicado oficial sobre esta nova fase do exploit, deixando a responsabilidade da atualização com os fabricantes de dispositivos.
Fontes
- thehackernews.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Segurança da Informação
- Publicado
- 19 de agosto de 2026
- Editoria
- CEVIU Segurança da Informação

