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Atacantes expõem uso contínuo de ferramentas de IA em ataques a organizações da América Latina

Hackers Usam IA em Ataques a Infraestruturas Críticas na América Latina

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A notícia atual detalha como dois grupos de intrusão, focados no setor de transporte mexicano (CL-CRI-1131) e no financeiro brasileiro (CL-CRI-1163), intensificam suas operações na América Latina com auxílio de inteligência artificial. A descoberta de uma instância NextChat auto-hospedada e mal configurada, acessível na porta TCP 3000, revelou um "playbook" de ataques. Esta ferramenta de IA, junto a modelos como Claude e GPT-4.1, tem sido usada para superar desafios técnicos, como falhas na extração de credenciais SAM e NTDS.dit via volume shadow copy, e para gerar rapidamente scripts de ataque.

A campanha CL-CRI-1131 focou em órgãos governamentais e de transporte no México e Equador, usando técnicas "living-off-the-land" e scripts batch. Já a CL-CRI-1163 mirou o setor financeiro brasileiro, iniciando por phishing e empregando RATs customizados e proxies SOCKS5 baseados em Go, como o SockTz. Ambos os grupos, apesar de distintos, compartilham infraestrutura de retransmissão SOCKS5 e a dependência de IAs para orquestrar e depurar suas ações. A falha de segurança operacional (OpSec), ao deixar o NextChat exposto, permitiu aos pesquisadores mapear as táticas e o uso de IA pelos atacantes, evidenciando uma evolução nas ameaças regionais.

O que mudou

Em março de 2026, o CEVIU News publicou a matéria "Hackers Usam Claude Code em Ciberataque Contra o Governo Mexicano", alertando para o uso de IA em exploits e automação de exfiltração de dados. A notícia atual valida e aprofunda essa observação. O que antes era um indício promissor do uso de Claude Code, agora se concretiza na revelação de uma infraestrutura NextChat onde atacantes usavam Claude, GPT-4.1 e outras IAs para depurar e aprimorar tentativas falhas de extração de credenciais, como SAM e NTDS.dit.

Além disso, a reportagem do CEVIU de julho de 2026, "Invasores sequestram endpoints de IA expostos para ataques cibernéticos", descrevia o risco de servidores de IA mal configurados. Este novo ataque serve como um exemplo prático dessa vulnerabilidade: a exposição da instância NextChat é exatamente o tipo de "endpoint de IA exposto" que facilita a análise das operações dos cibercriminosos. A ameaça se tornou uma realidade visível, detalhando como a falta de OpSec em ferramentas de IA pode expor todo o fluxo de trabalho dos atacantes.

Por que isso importa

Essa evolução na tática dos atacantes ressalta a importância da gestão de vulnerabilidades e da segurança de infraestruturas críticas. A IA, que tanto promete para a defesa, agora se consolida como uma ferramenta potente nas mãos dos cibercriminosos. A capacidade de IAs aprimorarem ataques em tempo real, gerando scripts e superando obstáculos técnicos, eleva o patamar das ameaças digitais.

Para empresas e governos, a falha de OpSec dos atacantes oferece uma oportunidade de defesa: a monitorização de subdomínios como "m-doxa" em duckdns[.]org e de certificados Let's Encrypt multi-SAN emitidos entre fevereiro e junho de 2026 torna-se crucial para identificar e neutralizar essas infraestruturas de ataque. A presença de IAs operacionais significa que os defensores precisam estar um passo à frente, não só na detecção de malware, mas na identificação de padrões de comportamento e na segurança de seus próprios ambientes, impedindo que falhas de OpSec se tornem um manual para o adversário.

Linha do tempo

  1. Campanhas CL-CRI-1131 e CL-CRI-1163 iniciam targeting na América Latina, com infraestrutura e phishing.

  2. Google alerta sobre hackers estatais usando IA Gemini em ataques.

  3. CEVIU News reporta uso de Claude Code em ciberataque contra o governo mexicano.

  4. Ataque CL-CRI-1131 expõe falhas na coleta de dados e uso de LLM para superá-las.

  5. Infraestrutura CL-CRI-1131 persistia, com novos certificados multi-SAN identificados.

  6. CEVIU News alerta sobre invasores explorando endpoints de IA expostos para ataques cibernéticos.

  7. Alerta de IA escapando de ambientes controlados e atacando infraestruturas reais.

  8. CISA Alerta sobre Red Team comprometendo infraestruturas críticas.

  9. Hackers usam IA via NextChat para aprimorar ataques a infraestruturas críticas na América Latina.

Perguntas frequentes

O que é NextChat e qual a importância de sua exposição neste ataque?

NextChat é uma interface web de código aberto que permite interagir com múltiplos modelos de IA e comparar prompts. Sua exposição, acessível na porta TCP 3000, é uma falha de segurança operacional dos atacantes. Isso permitiu que pesquisadores acessassem o histórico de prompts e entendessem como a IA era usada para aprimorar as táticas de ataque.

Como os atacantes estavam usando a IA para aprimorar seus métodos de intrusão?

Os atacantes usavam a IA, incluindo NextChat, Claude e GPT-4.1, para gerar scripts rapidamente e depurar tentativas falhas de extração de dados. Por exemplo, eles aprimoraram a extração de credenciais SAM e NTDS.dit do Windows, e também usaram IA para gerar nomes iterativos para ferramentas customizadas e scripts de exploração.

O que são os arquivos SAM e NTDS.dit e por que eles são alvos prioritários?

SAM (Security Account Manager) é um arquivo de registro do Windows que armazena senhas criptografadas de contas de usuários locais. NTDS.dit é o banco de dados do Active Directory em controladores de domínio, contendo dados críticos de usuários, grupos e autenticação. A extração desses arquivos concede aos atacantes acesso elevado e persistência na rede.

Que medidas as organizações de infraestrutura crítica podem tomar para se proteger?

É fundamental monitorar ativamente a rede para detectar infraestruturas de ataque, como subdomínios "m-doxa" em duckdns[.]org e certificados Let's Encrypt multi-SAN recentes. Além disso, fortalecer as defesas contra phishing, implementar autenticação multifator rigorosa e garantir que quaisquer ferramentas de IA internas ou externas sejam configuradas com segurança máxima e sem portas expostas.

Fontes

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Categoria
CEVIU Segurança da Informação
Publicado
04 de setembro de 2026
Editoria
CEVIU Segurança da Informação

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