losing: em defesa da leveza: marcas, comunicação e o fim da autoridade baseada na certeza
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Em um cenário de marketing cada vez mais saturado pela busca incessante por performance e otimização, o projeto 'losing', conforme detalhado no artigo de Sara Bernat para o Branding Magazine, sugere uma mudança radical. Em vez de apresentarem-se como treinadores, exigindo constante autoaperfeiçoamento do consumidor, as marcas têm a oportunidade de se posicionarem como companheiras. Isso significa conectar-se com o público em diferentes estados emocionais, seja no auge do sucesso, na tentativa ou mesmo na pausa. Essa abordagem, focada na amplitude emocional e na aceitação da imperfeição, foge dos modelos tradicionais de branding que visam apenas a melhoria contínua. Afinal, marcas que demonstram 'bandwidth' têm a capacidade de dialogar em diversos momentos, oferecendo um tipo de relacionamento mais resiliente e duradouro.
A proposta de 'losing' se conecta diretamente com as tendências observadas no mercado. A ideia de que quem tenta agradar a todos acaba se tornando invisível, como aponta o [G1](https://g1.globo.com/ba/bahia/especial-publicitario/kenia-cristina/noticia/2026/06/30/quem-tenta-agradar-todo-mundo-geralmente-se-torna-invisivel-no-mercado.ghtml), reforça a necessidade de um posicionamento autêntico e de um tom de voz que ressoe com uma parcela específica do público. A busca por 'leveza intencional' e o fim da autoridade baseada na certeza, temas abordados no [LAJE](https://laje-ac.com.br/anti-seriedade-tom-de-voz-marcas-brasileiras-2026/), demonstram um anseio por marcas que sejam menos prescritivas e mais empáticas. O marketing desenvolvido para um cliente que se tornou estratégico, conforme discutido no [CEVIU Marketing](/newsletter/ceviu-marketing/engajamento-do-cliente-em-2026-o-marketing-foi-desenvolvido-para-um-cliente-diferente), também valida essa transição de uma comunicação unidirecional para uma relação mais simbiótica e acessível.
O que mudou
A essência da mudança que o artigo de Sara Bernat descreve para o projeto 'losing' é a transição de um modelo de marca como 'treinador' para uma marca como 'companheira'. Anteriormente, no branding, era comum a ênfase na autoridade da certeza, ditando um caminho de autoaperfeiçoamento e alta performance, como na ideia de que a melhor versão de algo é sempre superior à versão atual. Agora, a proposta é para que as marcas possuam 'bandwidth', a capacidade de suportar e dialogar com uma gama completa de estados emocionais humanos, sem a necessidade de converter tudo em progresso. Isso se contrapõe à lógica de otimização constante, onde o presente é visto apenas como um trampolim para um futuro melhor. A adoção dessa abordagem 'soft' permite que as marcas permaneçam relevantes mesmo quando os consumidores não estão em seu pico de performance, algo que o artigo sugere como um 'whitespace' inexplorado no mercado atual.
Por que isso importa
Em um mercado onde a competição por atenção se intensifica, as marcas que adotarem a filosofia de 'losing' podem conquistar uma diferenciação significativa. A proposta de ser um 'companheiro' em vez de um 'treinador' aborda um cansaço coletivo com a pressão por performance e auto-otimização, criando conexões mais profundas e autênticas. Essa abordagem permite que as marcas se tornem mais resilientes, capazes de dialogar com o consumidor em qualquer circunstância, o que é crucial em um contexto de engajamento cada vez mais complexo e estratégico, como evidenciado em discussões recentes sobre [engajamento do cliente](/newsletter/ceviu-marketing/engajamento-do-cliente-em-2026-o-marketing-foi-desenvolvido-para-um-cliente-diferente).
A relevância dessa mudança também se estende à própria execução de marketing. Ao focarem na 'sensação' em detrimento do 'status' e em uma consistência baseada no 'senso de julgamento' em vez de um tom de voz rígido, as marcas podem construir uma identidade mais humana e duradoura. Isso se alinha com a ideia de que, em um mundo saturado de IA e fórmulas prontas em marketing, a direção criativa e um ponto de vista próprio se tornam diferenciais cruciais para ganhar atenção. Em última análise, adotar a suavidade estratégica pode ser o caminho para a longevidade em um mercado que começa a rejeitar a rigidez da otimização constante.
Perguntas frequentes
O que é o projeto 'losing' e qual sua premissa principal?
O projeto 'losing', descrito no artigo de Sara Bernat, propõe uma mudança de paradigma no branding. Sua premissa é que as marcas devem abandonar a postura de 'treinadoras' focadas em otimização constante e adotar a de 'companheiras', aceitando e dialogando com a amplitude emocional dos consumidores.
Qual a diferença entre 'suavidade estética' e 'suavidade estratégica' no contexto de 'losing'?
O artigo distingue claramente. Suavidade estética refere-se a um visual minimalista e cores pastel, associado ao bem-estar. Já a suavidade estratégica, conceito central de 'losing', é uma arquitetura comportamental: como sistemas, interações e comunicações reduzem a 'agressão cognitiva' da marca, focando na relação e na capacidade de existir em diferentes estados emocionais.
Como essa abordagem se traduz na prática para as marcas?
Na prática, as marcas podem atuar como companheiras estando presentes em todos os momentos do consumidor, não apenas nos de alta performance. Isso implica em campanhas com múltiplos pontos de entrada emocionais, em briefings que não forcem resoluções imediatas e em uma consistência baseada no 'senso de julgamento' da marca, não apenas no tom de voz. Exemplos incluem a mudança de notificações agressivas em apps ou a valorização do 'trabalho manual' no luxo.
Por que a rigidez da otimização está se tornando obsoleta?
A busca incessante por otimização e autoaperfeiçoamento gera um esgotamento psíquico. O artigo sugere que essa cultura de performance já saturou e que as pessoas buscam momentos presentes que sejam suficientes em si mesmos. Marcas que insistem apenas na melhora contínua podem acabar fabricando uma sensação de inadequação no consumidor, o que é insustentável a longo prazo.
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Fontes
- brandingmag.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Marketing
- Publicado
- 01 de julho de 2026
- Editoria
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