SLAC confirma altermagnetismo em telureto de manganês com raios X polarizados
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Durante cerca de 90 anos, só dois tipos de magnetismo espontâneo eram aceitos: o ferromagnetismo, em que todos os spins apontam para o mesmo lado e geram campo observável, e o antiferromagnetismo, descoberto em 1933, em que spins alternados se cancelam. Em 2022, pesquisadores propuseram o termo "altermagnetos" para materiais que misturam traços das duas classes. A hipótese é que a rede cristalina ao redor dos spins "up" esteja rotacionada em relação à rede ao redor dos spins "down". Essa quebra de simetria explicaria o comportamento incomum.
O time liderado por Daniel Jost, do SLAC, levou o telureto de manganês (MnTe) ao ESRF, na França, para a linha ID32, capaz de gerar feixes de raios X polarizados bem controlados. Materiais quirais espalham luz circularmente polarizada à esquerda e à direita de formas diferentes. Materiais não quirais tratam os dois feixes igual. Os pesquisadores observaram um sinal quiral que não deveria existir em um antiferromagneto convencional. O experimento inicial foi concluído em 2024 e repetido no início de 2025, com os mesmos resultados. O estudo saiu na Science em 29 de outubro de 2026.
Para spintrônica, o argumento é direto. Ferromagnetos são sensíveis demais a campos externos, e um ímã no bolso poderia inverter bits. Antiferromagnetos resolvem isso, mas são quase invisíveis, o que dificulta ler o dado e gerar correntes de spin eficientes. Altermagnetos têm magnetização líquida zero, então são estáveis, e ainda geram correntes spin-polarizadas. A próxima etapa, segundo a fonte, é estudar como controlar esses estados com luz e eletricidade.
Por que isso importa
Para quem acompanha memória não volátil e spintrônica, a confirmação experimental muda o status do altermagnetismo, de hipótese teórica para fase magnética demonstrada em um material concreto. Isso não significa dispositivo pronto. A própria fonte coloca o controle por luz e eletricidade como trabalho futuro, e esse é o ponto que decide se o MnTe sai do laboratório.
Linha do tempo
Estudo do SLAC com raios X polarizados em MnTe é publicado na Science.
CEVIU noticia a confirmação do altermagnetismo em telureto de manganês.
Perguntas frequentes
O que é um altermagneto?
É um terceiro tipo de ímã, ao lado dos ferromagnetos e dos antiferromagnetos. Como nos antiferromagnetos, os spins alternam e a magnetização líquida é zero. Mesmo assim, ele consegue conduzir correntes spin-polarizadas, algo associado aos ferromagnetos.
Como o SLAC provou o altermagnetismo no telureto de manganês?
A equipe espalhou raios X circularmente polarizados no material, na linha ID32 do ESRF, na França. Comparando a resposta à luz de mão esquerda e de mão direita, achou um sinal quiral que um antiferromagneto convencional não produziria. O experimento de 2024 foi repetido no início de 2025.
Por que altermagnetos interessam para memória e data centers?
Eles têm magnetização líquida zero, então campos dispersos não invertem os bits. Ao mesmo tempo, geram correntes spin-polarizadas que facilitam a leitura do dado. A fonte cita potencial de dispositivos mais rápidos e com menor consumo de energia.
Já existe dispositivo comercial com altermagnetos?
A fonte não menciona nenhum. Ela diz que pesquisas futuras vão explorar como controlar os estados altermagnéticos com luz e eletricidade para aplicações em tecnologias quânticas, memória e data centers.
Fontes
- www6.slac.stanford.edufonte original
- Categoria
- CEVIU Hardware
- Publicado
- 02 de novembro de 2026
- Editoria
- CEVIU Hardware

