No ISC, supercomputador JUPITER mostra o real impacto da ciência em exaescala
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O JUPITER é o primeiro supercomputador em exaescala operacional da Europa, inaugurado oficialmente em 5 de setembro de 2025 no Forschungszentrum Jülich, na Alemanha. Ele atingiu 1 ExaFLOP/s em FP64 em novembro de 2025 e está classificado como quinto no TOP500 de junho de 2026, mantendo-se o mais eficiente energeticamente do mundo. Seu hardware é baseado em cerca de 24.000 Superchips NVIDIA GH200 (Grace Hopper), distribuídos em 6.000 nós, com rede Quantum-X800 InfiniBand e armazenamento flash de 20 petabytes. A arquitetura modular inclui um módulo Booster para cargas intensivas em IA e um módulo Cluster para tarefas orientadas a dados, além de sistema de resfriamento a água quente que reutiliza calor para aquecer edifícios no campus.
Quatro projetos-chave divulgados na conferência ISC 2026 em Hamburgo mostram seu impacto prático: o CytoNet, modelo fundacional treinado em 6,5 PB de dados de 21 cérebros post-mortem em menos de cinco dias; a simulação climática ICON em resolução global de 1 km, que modela oceanos, atmosfera, biosfera e ciclo completo do carbono; a parceria com a Ericsson para IA de 6G com foco em arquiteturas inspiradas no cérebro; e a simulação recorde de um computador quântico universal de 50 qubits, superando o limite anterior de 48 qubits graças à memória unificada CPU-GPU dos GH200.
Por que isso importa
O JUPITER marca a transição da exaescala de conceito teórico para ferramenta científica real. Diferente de sistemas anteriores, ele não só alcança marcas de desempenho, mas já entrega resultados mensuráveis: melhoria de 40% na previsão de eventos climáticos extremos, mapeamento celular do cérebro humano pela primeira vez, e simulações quânticas que guiam o desenvolvimento de hardware físico. Sua eficiência energética, com reuso térmico integrado, mostra que exaescala pode ser sustentável, não apenas poderosa. Isso posiciona a Europa como protagonista em ciência de ponta, sem depender exclusivamente de infraestrutura norte-americana ou asiática.
Impacto para desenvolvedores
Para desenvolvedores e pesquisadores, o JUPITER oferece acesso a uma infraestrutura de IA e HPC que combina escala, memória unificada e baixa latência de rede, ideal para treinar modelos multimodais grandes, simular sistemas físicos complexos e testar algoritmos quânticos em escala antes inalcançável. A JUPITER AI Factory, sua iniciativa associada, abre acesso estruturado a startups, PMEs e universidades europeias, com suporte técnico via NVIDIA Application Lab. Não é só um supercomputador: é uma plataforma aberta, com partição de armazenamento ultrarrápida e arquitetura modular que permite experimentação entre cargas de HPC clássico, IA generativa e computação neuromórfica, tudo sob um mesmo stack tecnológico homogêneo.
Perguntas frequentes
O que é o JUPITER e por que é considerado o primeiro supercomputador em exaescala da Europa?
O JUPITER é um supercomputador operacional desde junho de 2025 no Forschungszentrum Jülich, na Alemanha. Foi inaugurado em 5 de setembro de 2025 e atingiu 1 ExaFLOP/s em precisão dupla (FP64) em novembro de 2025, o que o credencia como o primeiro sistema em exaescala funcional da Europa. Ele é gerenciado pelo Jülich Supercomputing Centre (JSC) e co-financiado pela EuroHPC Joint Undertaking e pelos governos alemão e estadual.
Qual é o desempenho real do JUPITER em IA e em simulações científicas?
O JUPITER atinge 1 ExaFLOP/s em FP64 para simulações científicas. Em IA, seu desempenho varia entre 40 e 80 ExaFLOP/s em precisão de 8 bits (FP8) ou modo esparsificado, com pico de até 90 ExaFLOPs. Esses números são confirmados por benchmarks oficiais e relatos do JSC e da NVIDIA, não são estimativas teóricas. O sistema usa 24.000 Superchips NVIDIA GH200 para alcançar esses patamares.
O JUPITER já está disponível para uso por pesquisadores e empresas fora da Alemanha?
Sim. O JUPITER opera como parte da JUPITER AI Factory, iniciativa da EuroHPC que fornece acesso a pesquisadores, startups e PMEs de toda a União Europeia. O acesso é regulado por chamadas periódicas de propostas científicas e técnicas, com suporte técnico oferecido pelo NVIDIA Application Lab em Jülich. Não há restrição geográfica dentro da UE, e o sistema já está em uso contínuo desde meados de 2025.
Quais são os principais projetos em execução no JUPITER em 2026?
Os quatro destaques apresentados na ISC 2026 são: (1) o CytoNet, modelo fundacional para mapeamento cerebral em escala celular; (2) a simulação climática ICON em resolução de 1 km com acoplamento completo de oceanos, atmosfera e biosfera; (3) a colaboração com a Ericsson para IA de 6G com foco em eficiência energética; e (4) a simulação recorde de um computador quântico universal de 50 qubits. Outras áreas ativas incluem dinâmica molecular, astrofísica, ciência dos materiais e desenvolvimento de fármacos.
Fontes
- blogs.nvidia.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Hardware
- Publicado
- 29 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Hardware

