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Visa e Mastercard apostam no agentic commerce como motor de crescimento em pagamentos

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O agentic commerce não é só mais um canal de vendas: é uma reescrita da cadeia de valor do varejo e dos pagamentos. Enquanto o comércio tradicional depende de humanos clicando, comparando e decidindo, agentes de IA já executam milhares de transações por segundo, sem hesitação, sem carrinho abandonado, sem janela de sessão expirada. Visa e Mastercard não estão apenas 'adotando' esse modelo; estão construindo a infraestrutura que vai definir quem recebe, quem autentica e quem lucra com cada operação entre agentes. O lançamento do Trusted Agent Protocol (TAP) pela Visa em outubro de 2025 e do Agent Pay pela Mastercard em maio de 2025 já geraram sua primeira transação real em outubro do mesmo ano, muito antes do que muitos previam. Agora, com investimentos na Replit e parcerias com Cloudflare, AWS e Google, as redes estão migrando de processadores de pagamento para provedoras de identidade, segurança e governança para agentes.

Essa virada tem impacto direto no balanço: cada agente que negocia preços entre 12 fornecedores, monta um carrinho com itens de lojas distintas e liquida via stablecoin ou cartão tokenizado gera múltiplas transações, não uma. E isso vale tanto para um consumidor delegando compras ao Gemini quanto para uma empresa automatizando compras de insumos B2B. A projeção de 93 bilhões de dólares para o mercado de pagamentos agentic até 2032 não é otimismo: é contabilidade de volume multiplicado.

O que mudou

O que era conceito em maio de 2026, como mostrado na cobertura CEVIU sobre a reinvenção do comércio para IA agentic, virou infraestrutura operacional em junho de 2026. Antes, falávamos em 'potencial' de automação de descoberta e fulfillment; agora, Visa e Mastercard já têm protocolos rodando em produção, com transações reais e parcerias técnicas ativas. O salto não está na ideia, mas na execução: o TAP e o Agent Pay deixaram de ser white papers para se tornarem camadas de autenticação integradas a CDNs e nuvens. Também houve mudança de escopo, enquanto a cobertura anterior focava no comércio como um todo, a notícia atual revela que o motor de receita das redes não é só o volume, mas a nova demanda por tokenização avançada, prevenção de fraude em tempo real e compliance em ambientes multiagente.

Por que isso importa

Porque redefine quem controla o fluxo de dinheiro no ecossistema digital. Hoje, um site de varejo captura dados do cliente, define preço e escolhe o gateway de pagamento. Com agentes, essa cadeia se inverte: o agente decide onde comprar, negocia condições, seleciona o método de pagamento e valida a entrega, tudo antes de o humano sequer saber que a compra foi feita. Para fintechs e bancos, isso significa perder a interface com o cliente final, mas ganhar espaço como provedores de identidade de agente, emissão de wallets para máquinas e infraestrutura de settlement em micropagamentos. Para reguladores, é um novo desafio: como fiscalizar transações que não têm 'consumidor humano' no ciclo? E para o varejo, é uma questão de sobrevivência, sites que não expõem preços, estoque e políticas em formato legível por máquinas serão simplesmente ignorados pelos agentes.

Linha do tempo

  1. Lançamento do Model Context Protocol (MCP) pela Anthropic, primeiro padrão aberto para conectar agentes a sistemas externos

  2. Lançamento do Agentic Commerce Protocol (ACP) pela OpenAI em parceria com Stripe

  3. Visa lança Trusted Agent Protocol (TAP) e Mastercard registra primeira transação agentic

  4. Visa e Mastercard posicionam agentic commerce como motor central de crescimento em pagamentos

Perguntas frequentes

O que diferencia agentic commerce de compras assistidas por IA, como o 'Buy for Me' da Amazon?

Compras assistidas ainda exigem aprovação humana em algum ponto da jornada. No agentic commerce, o agente toma todas as decisões autonomamente, desde descoberta até pagamento e acompanhamento de entrega. Ele opera como entidade econômica independente, com identidade, wallet e histórico de crédito próprio.

Por que Visa e Mastercard estão tão envolvidas, se os agentes podem usar stablecoins diretamente?

Stablecoins resolvem liquidação, mas não resolvem confiança, identidade e compliance. Visa e Mastercard oferecem o que blockchains ainda não garantem em escala: verificação de identidade de agentes, proteção contra fraude em tempo real e integração com sistemas regulatórios globais. Além disso, 76% das transações entre agentes são abaixo de 30 centavos, valor inviável para cartões, mas perfeito para seus novos modelos de precificação por uso.

Quais são os riscos reais para consumidores nesse modelo?

Perda de controle sobre dados de compra, dificuldade de contestar transações realizadas por agentes e exposição a fraudes em cadeia, um agente comprometido pode autorizar compras em nome de milhares de usuários. A confiança é o maior obstáculo: 78% dos executivos esperam aumento significativo de fraudes, e 45% dos consumidores dos EUA já usam IA em alguma etapa da jornada de compra, mas poucos sabem quais dados estão sendo compartilhados com os agentes.

Como empresas de varejo devem se preparar tecnicamente?

Precisam expor dados de produto, preço, estoque e política de devolução em formatos estruturados e acessíveis por APIs, não apenas para humanos, mas para agentes. Plataformas como commercetools e KIBO já oferecem soluções nativas para isso. Quem continuar com sites baseados em HTML está fora do radar dos agentes, mesmo que tenha ótimos preços.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
01 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Fintech

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