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Nasdaq faz parceria com Kraken para expandir infraestrutura de tokenização

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A Nasdaq não está só testando blockchain: está construindo um novo trilho regulatório para ações. A parceria com a Payward (Kraken) e sua plataforma xStocks, adquirida em dezembro de 2024 e já responsável por US$ 32 bilhões em volume transacionado globalmente, vai além da tecnologia. Ela cria um 'gateway centrado no emissor', ou seja, uma ponte que mantém o controle do emissor sobre direitos societários, dividendos e governança, mesmo com o ativo rodando em blockchain. Isso resolve o principal entrave institucional: não é só tokenizar, é garantir que o título continue sendo um título, com os mesmos direitos, obrigações e supervisão da SEC.

O timing não é casual. Em janeiro de 2026, a SEC deixou claro que tokenizar um papel não muda seu status legal. Em junho, avançou com a estrutura 'Inovação Sem Arbitragem', impedindo que ativos idênticos sejam tratados de forma distinta só por estarem on-chain. Ao mesmo tempo, as agências bancárias alinharam o tratamento de capital para títulos tokenizados ao de títulos tradicionais, sinalizando que o risco é o mesmo, e o custo de manter esses ativos nos balanços caiu. O que está em jogo não é só eficiência operacional, mas a redefinição do ciclo de vida do capital: desde a emissão até a liquidação em minutos, sem intermediários de custódia, e com negociação contínua 24/7, inclusive nos fins de semana, como já acontece com o programa IPO Access da Kraken, que trouxe SpaceX para varejistas de 110 países.

Por que isso importa

Isso muda a geografia do acesso ao capital. Hoje, 70% do capital investido em security tokens vem de instituições, mas o gateway da Nasdaq/Kraken foi desenhado para escalar para emissores médios e até pequenos, com compliance embutido. Para o investidor brasileiro, significa potencialmente acessar ações listadas na Nasdaq com liquidação em segundos, fracionamento real (não apenas via fundos), e participação direta em assembleias via smart contracts, tudo sob regulação norte-americana, não sob regimes experimentais. E para o mercado financeiro local, é um alerta: enquanto o Brasil ainda discute marcos regulatórios para open finance, os EUA já estão operacionalizando infraestrutura de mercado primário e secundário com blockchain como camada nativa.

Linha do tempo

  1. Kraken adquire a plataforma xStocks

  2. Nasdaq submete proposta de tokenização à SEC

  3. SEC esclarece neutralidade tecnológica na tokenização de títulos

  4. Anúncio da parceria entre Nasdaq e Payward (Kraken) para infraestrutura de tokenização de ações

Perguntas frequentes

O que é exatamente esse 'gateway de ações tokenizadas centrado no emissor'?

É uma infraestrutura técnica e jurídica que permite que empresas emitam ações tradicionais diretamente em blockchain, mantendo todos os direitos legais e obrigações regulatórias intactos. Diferente de simples conversão em tokens, ele garante que o emissor conserve controle sobre dividendos, votações e relações com acionistas, sem depender de custodiantes terceirizados.

Quando isso vai estar disponível para empresas brasileiras ou investidores do Brasil?

O serviço deve entrar em operação no primeiro semestre de 2027. Embora não haja anúncio formal de acesso para empresas fora dos EUA, o modelo da xStocks já opera em mais de 110 países, incluindo o Brasil, para negociação de ações tokenizadas. A Lei GENIUS de 2025 e as atualizações de capital bancário facilitam a integração com jurisdições que reconhecem a equivalência regulatória.

Como isso afeta a segurança jurídica dos investidores?

A SEC deixou explícito em janeiro de 2026 que a tokenização não altera o tratamento regulatório de um título. Ou seja, os direitos do acionista continuam protegidos pela lei federal de valores mobiliários dos EUA, com a mesma cobertura de auditoria, divulgação e responsabilização, agora executados via código auditável e registros imutáveis.

Por que a Nasdaq escolheu a Kraken e não outra exchange ou fintech?

A Kraken adquiriu a xStocks em dezembro de 2024, uma plataforma já regulada na Europa e com histórico de operação em múltiplas jurisdições. Seu volume de US$ 32 bilhões e 133 mil detentores únicos até junho de 2026 demonstrou capacidade de escalar infraestrutura de mercado secundário com compliance real, algo que poucas exchanges de cripto conseguiram provar até agora.

Fontes

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Categoria
CEVIU Fintech
Publicado
12 de março de 2026
Editoria
CEVIU Fintech

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