O recurso que pode transformar seu produto em mais um no mercado
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O texto usa o caso do Starbucks para mostrar como uma funcionalidade excelente pode corroer o motivo pelo qual o cliente paga. O app de pedido e pagamento antecipado, lançado em 2015, resolveu um problema real (a fila). Hoje cerca de um terço das transações nas lojas próprias dos EUA passa pelo app, e mais de 70% das vendas vêm do app somado ao drive-thru. A empresa também guarda cerca de US$ 1,7 bilhão em saldo de clientes, sem juros.
O ponto central: o prêmio de US$ 6 pagava pelo ambiente (o conceito de Terceiro Lugar, de Howard Schultz), pelo ritual da fila e pelo barista que chama seu nome. O app removeu essas camadas. Os indicadores do painel (volume, adoção, ticket, membros do programa de recompensas) subiram, mas ninguém media se o lugar ainda parecia valer o preço. Depois vieram esperas de 15 a 30 minutos, cerca de um em sete pedidos abandonados antes do pagamento e seis trimestres seguidos de queda nas vendas das mesmas lojas. O autor relata um caso parecido numa empresa de software B2B em que ele investiu: a receita de pagamentos virou o número observado e o problema central do produto perdeu atenção. A recomendação é definir em uma frase pelo que o cliente paga e testar cada melhoria contra ela.
O que mudou
A tese conversa com a cobertura anterior do CEVIU, mas como reforço, não como evolução de um mesmo fato. Em 13 de abril de 2026, o CEVIU noticiou "Toda Funcionalidade Deve Conquistar Seu Espaço", sobre o custo de manter cada adição ao produto. Em 17 de agosto de 2026, em "A Virada de Chave no Desenvolvimento de Produtos: Entenda o 'Jobs to be Done'", o tema era o produto "contratado" para resolver um problema específico. A notícia atual acrescenta um caso concreto: uma funcionalidade bem-sucedida em métricas que enfraquece o que o cliente contratou.
Por que isso importa
Para quem toca um produto em fase de crescimento, a leitura prática é incluir na revisão de roadmap uma pergunta que o painel não responde: esta mudança protege ou troca aquilo que sustenta o preço? Quando uma funcionalidade vira motor de receita, desfazê-la custa caro, então a checagem precisa vir antes do lançamento, junto com a pergunta sobre reversibilidade.
Linha do tempo
CEVIU publica "Como Construir uma Máquina de Ajuste Produto-Mercado", sobre priorização disciplinada.
CEVIU publica "Toda Funcionalidade Deve Conquistar Seu Espaço", sobre o custo de manter features.
CEVIU publica sobre "Jobs to be Done" e produtos contratados para resolver problemas.
CEVIU publica "O Verdadeiro Valor do Software: Foco na Atenção do Cliente".
Notícia sobre o caso Starbucks e o exercício de identificar pelo que o cliente paga.
Perguntas frequentes
O que o caso do Starbucks ensina a fundadores?
Que uma funcionalidade pode melhorar todas as métricas e ainda assim retirar o que justifica o preço. O app tornou a transação mais eficiente, mas eliminou a fila como ritual, o nome chamado e o motivo para sentar. O aprendizado é saber pelo que o cliente paga e medir isso.
Como definir pelo que o cliente realmente paga?
O texto propõe resumir em uma frase o que a margem do cliente está comprando. Depois, cada melhoria passa por um teste: ela protege essa frase ou a troca por eficiência? Se trocar, o custo precisa ser consciente.
Por que o autor cita a empresa de pagamentos B2B?
Porque ela mostra o mesmo padrão em escala menor. A receita de transações virou o número mais observado, o foco foi para ela, e um concorrente avançou no problema central do produto. A empresa acabou vendida por um múltiplo baixo de receita.
O que o Starbucks está fazendo para corrigir o rumo?
Brian Niccol assumiu em 2024 e disse que a empresa se afastou do seu núcleo. O plano "Back to Starbucks" fecha lojas só para retirada e cria cafeterias com assentos. O app continua, com a tentativa de recolocar o ambiente ao redor dele.
Fontes
- wildfirelabs.substack.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Empreendedores
- Publicado
- 28 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Empreendedores

