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Você não chega a uma "boa experiência" com hill climbing

Boa experiência do usuário não nasce de hill climbing

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

O texto de Randy Au, pesquisador quantitativo de UX e autor da newsletter Counting Stuff, parte de uma observação prática: LLMs geram código muito bem, mas entregam interfaces ruins. Ele relata que a interface leva cerca de três vezes mais tempo e esforço que a funcionalidade, e ainda assim fica difícil de usar. Os problemas são conhecidos: blocos de texto com terminologia opaca, ordem de passos confusa e elementos fora de onde o usuário espera. Até em ferramentas de linha de comando os modelos tendem a criar muitos flags com nomes longos e funções agrupadas sem lógica.

O argumento central é que agentes de código são otimizadores. Eles rendem quando há critério objetivo e determinístico de aprovação, como compilar e passar em testes. Usabilidade não funciona assim. Uma interface confusa pode continuar confusa em centenas de rearranjos e, com poucas mudanças combinadas, passar a fazer sentido de repente. Cada mudança isolada quase não mostra ganho. Au também diz que nunca viu uma métrica de usabilidade em que "mais é sempre melhor": tempo de conclusão e número de ações, por exemplo, dependem do caso, e às vezes se quer fricção.

Há ainda o problema do usuário simulado. Agentes com Playwright até conseguem executar tarefas numa UI, mas leem todo o texto e enxergam a página inteira de uma vez. Humanos não leem tudo e têm campo visual, atenção e memória limitados. Para o agente a interface é "usável", para a pessoa pode ser nonsense. Segundo Au, um simulador realista de usuário ainda é problema aberto em interação humano-computador. Copiar interfaces boas também falha, porque design bom depende de contexto, como no clone do Amazon em lojas pequenas, que fica menos usável sem o catálogo gigante.

O que mudou

O tema já vinha aparecendo na cobertura do CEVIU. Em 13 de abril de 2026, o CEVIU noticiou "Por Que a IA Falha no Desenvolvimento Front End", e em 17 de abril de 2026, "Por Que a IA é Deficiente no Frontend", ambas sobre limites em precisão de pixel e interações complexas. Em 20 de abril de 2026, "Seu agente de IA pode ler sua base de código, mas não conhece seu produto" apontou a falta de contexto de design. Em 11 de março de 2026, "Por Que a UX Gerada por IA Parece Estranha: A Lacuna Humana no Design" já falava de falta de julgamento contextual. O texto atual não traz um fato novo sobre um produto, mas oferece uma explicação mais estrutural: o problema é a ausência de critério objetivo para otimizar e de um usuário simulado confiável.

Por que isso importa

Para quem trabalha com UX/UI, a leitura é que a IA pode acelerar a implementação, mas não substitui o julgamento sobre hierarquia, texto e ordem de passos. Se a especificação deixa ambiguidade, o modelo escolhe por conta própria. Isso sugere que wireframes, fluxos e testes com pessoas de verdade continuam sendo o ponto de partida, e que o designer segue como o "oráculo" de usabilidade que a máquina não tem.

Linha do tempo

  1. CEVIU noticia por que a UX gerada por IA parece estranha, por falta de julgamento contextual.

  2. CEVIU noticia que a IA falha no front end quando exige precisão de pixel e interações personalizadas.

  3. CEVIU noticia que a IA é deficiente no frontend para soluções personalizadas.

  4. CEVIU noticia que agentes de IA leem o código, mas não conhecem o produto.

  5. Randy Au argumenta que boa experiência do usuário não nasce de hill climbing.

Perguntas frequentes

Por que a IA gera interfaces difíceis de usar?

Segundo Randy Au, agentes de código são otimizadores que funcionam com critérios claros de passa ou falha, como testes. Usabilidade não tem critério assim. Sem wireframes e fluxos definidos por humanos, o modelo faz escolhas ambíguas que costumam confundir o usuário.

Por que não dá para otimizar a experiência do usuário só com métricas?

Porque as métricas de usabilidade raramente têm leitura de "quanto maior, melhor". Tempo de conclusão ou número de ações podem piorar e ainda assim indicar mais valor ao usuário. Além disso, mudanças isoladas quase não mostram melhora, só o conjunto delas.

Agentes de IA conseguem testar interfaces como um usuário real?

Conseguem executar tarefas com ferramentas como Playwright, e até se saem melhor que humanos típicos. Mas leem todo o texto e veem a página inteira de uma vez. Por isso não percebem problemas que atingem pessoas distraídas, e o texto lembra que um usuário simulado realista é um problema aberto em IHC.

Copiar interfaces boas resolve o problema?

Não, segundo o autor. Boas decisões de design dependem de contexto, e o exemplo é o clone de páginas da Amazon em lojas pequenas, que fica menos usável sem o catálogo enorme. Ele também compara com a arte gerada por IA, que tem um "jeito de IA" reconhecível.

Fontes

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Categoria
CEVIU Design
Publicado
22 de outubro de 2026
Editoria
CEVIU Design

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