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Por que stablecoins favorecem as redes de cartão, e não as ameaçam

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A ideia de que stablecoins vão substituir Visa e Mastercard nasce de uma leitura superficial: se o dinheiro digital é mais barato e rápido, por que manter cartões? A pesquisa mostra que o oposto está acontecendo, as redes estão se integrando ativamente ao ecossistema. O motivo é estrutural: as taxas que elas recebem (cerca de US$ 0,18 em uma compra de US$ 100) são mínimas comparadas às do emissor (US$ 1,75), então não há pressão direta sobre sua margem. Em vez disso, elas ganham com novos fluxos: cartões vinculados a stablecoins já movimentam mais de US$ 18 bilhões por ano (volume anualizado, fim de 2025), com crescimento acelerado, o volume mensal saltou de US$ 250 milhões para US$ 1,5 bilhão em um ano.

Visa e Mastercard não estão só aceitando stablecoins como forma de pagamento: estão operando como validadoras em blockchains (como a Visa na rede Tempo), oferecendo liquidação em USDC desde 2023 e lançando cartões com parcerias como a Bridge (Stripe) na América Latina em abril de 2025. A Mastercard também habilitou transações ponta a ponta com stablecoins em sua rede de 150 milhões de comerciantes, permitindo que consumidores gastem e comerciantes recebam diretamente em ativos digitais. Essa integração transforma a stablecoin em um novo 'canal', não em um concorrente.

Por que isso importa

O que importa é que stablecoins não competem com cartões no mesmo nível: elas resolvem problemas que os cartões nunca foram feitos para resolver, liquidação cross-border 24/7, pagamentos B2B de alto valor e remessas internacionais. Enquanto isso, os cartões mantêm seu papel central na interface com o consumidor final: segurança, experiência de uso, proteção contra fraude e alcance global. O mercado de stablecoins movimentou US$ 27,6 trilhões em 2024, mais que Visa + Mastercard juntos, mas quase toda essa atividade ocorre entre instituições, exchanges e market makers, não em compras no supermercado. Ou seja, o volume bruto não equivale à substituição da infraestrutura de pagamento varejista.

Para o sistema financeiro, essa convergência reduz fricções reais: transações que custavam 1, 3% agora podem sair abaixo de 1%, especialmente em valores altos; liquidações que levavam dias passam para minutos; e pagamentos internacionais deixam de depender de correspondentes bancários. Isso não enfraquece as redes, fortalece sua relevância em um mundo que exige velocidade, transparência e custo previsível.

Impacto para desenvolvedores

Para desenvolvedores, o impacto é prático: APIs de pagamentos estão evoluindo para suportar múltiplas camadas, fiat, stablecoin e até CBDCs, sem refatoração completa. Visa e Mastercard já oferecem SDKs e documentação para integração com stablecoins (ex.: Visa Stablecoin API, Mastercard Crypto Credential). A arquitetura muda: não é mais 'cartão ou blockchain', mas 'cartão *com* stablecoin como opção de fundo'. Isso exige que times entendam não só REST e Webhooks, mas também conceitos como gas fees, conversão on-the-fly (USD ↔ USDC), confirmações de rede e tratamento de transações finais (não reversíveis). A exigência técnica aumenta, mas o escopo de negócios também, apps financeiros agora podem oferecer remessas instantâneas para o México ou liquidação em tempo real para fornecedores na Ásia, tudo dentro da mesma stack.

Perguntas frequentes

Por que stablecoins não estão substituindo Visa e Mastercard?

Porque elas operam em camadas diferentes do ecossistema: stablecoins otimizam liquidação entre instituições e pagamentos B2B, enquanto cartões continuam dominando a interface com o consumidor final. As redes ganham com a integração, não perdem com a concorrência, e já movimentam mais de US$ 18 bilhões por ano em transações com stablecoins vinculadas a cartões.

Qual é o volume atual de pagamentos com stablecoins via cartões?

No final de 2025, o volume mensal de pagamentos com cartões vinculados a stablecoins atingiu US$ 1,5 bilhão, segundo dados de mercado. O volume anualizado superou US$ 18 bilhões, com crescimento acelerado, triplicando em alguns trimestres. A Visa sozinha reportou US$ 7 bilhões em volume anualizado em março de 2026, com mais de 160 programas globais.

Como Visa e Mastercard estão usando stablecoins além de aceitar pagamentos?

Visa atua como validadora em blockchains como a Tempo, pilotou liquidações em USDC desde 2023 e lançou cartões com stablecoins em parceria com a Bridge (Stripe) na América Latina em abril de 2025. Mastercard habilitou transações ponta a ponta com stablecoins em sua rede de 150 milhões de comerciantes e mantém parcerias com Circle, Paxos, OKX e Nuvei para integrar ativos digitais à infraestrutura financeira tradicional.

Quais são as vantagens técnicas reais de usar stablecoins em vez de cartões para empresas?

Custos mais baixos (taxas fixas em vez de percentuais, com economia de até 90% em transações de alto valor), liquidação em segundos/minutos (não dias úteis), disponibilidade 24/7 inclusive fins de semana e feriados, e eliminação de riscos de chargeback, pois transações em blockchain são finais. Isso é crítico para remessas, pagamentos B2B e operações cross-border.

Fontes

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Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
23 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

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