CEVIU Logo
Voltar
O Fork do Bitcoin que Durou Apenas Dois Blocos e Abalou a Mineração

O 'Soft Fork' Relâmpago do Bitcoin: Uma Lição sobre Governança e Mineração

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A proposta BIP-110, um soft fork com objetivo de restringir dados arbitrários em transações do Bitcoin, enfrentou resistência massiva. Idealizado para limitar Ordinals, BRC-20 e Runes, o fork pretendia impor um teto de 34 bytes para a maioria das saídas e 83 bytes para OP_RETURN. Ele buscava mitigar o que alguns veem como “spam” na blockchain, otimizando o uso da rede. Contudo, a iniciativa só conseguiu 2,53% de sinalização dos mineradores, um número muito abaixo do limiar de 55% necessário para ativação.

O fracasso da BIP-110 evidenciou a rigidez do mecanismo de consenso do Bitcoin. O pool Ocean, único a sinalizar favoravelmente, cometeu um erro de configuração que desviou mineradores para a cadeia minoritária, culminando em uma perda de 96% do hashrate e a consequente remoção de Luke Dashjr do papel editorial de BIPs. O episódio mostra que qualquer alteração significativa no Bitcoin requer um apoio esmagador da comunidade para evitar divisões e garantir a integridade da rede.

O que mudou

A falha da BIP-110 de alcançar consenso ganha uma camada adicional de contexto quando observamos a cobertura anterior do CEVIU. Em 14 de agosto de 2026, o CEVIU News noticiou que as taxas de transação do Bitcoin despencaram para a mínima de uma década, representando apenas 0,69% da receita total dos mineradores. Este cenário de taxas reduzidas pode ter tirado a urgência percebida pelos mineradores em apoiar um soft fork destinado a combater o “spam”, que historicamente impulsionava as taxas. Sem o incentivo econômico, a motivação para uma mudança controversa diminuiu.

Adicionalmente, a discussão sobre a dificuldade de implementar mudanças no Bitcoin não é nova. Em 20 de abril de 2026, o CEVIU News abordou a proposta de proteção quântica BIP-361, com Hoskinson afirmando que ela seria um hard fork disfarçado. Esse debate anterior já sinalizava os desafios inerentes a qualquer modificação de protocolo no Bitcoin, seja soft ou hard fork, pela necessidade de consenso robusto e aversão a alterações que possam comprometer a rede ou seus usuários legados.

Por que isso importa

Este episódio é um lembrete vívido da robustez e da natureza resistente a mudanças da governança do Bitcoin. Ele mostra que a rede não se curva facilmente a propostas controversas, mesmo quando impulsionadas por figuras influentes ou preocupações legítimas sobre o uso da blockchain. A falha da BIP-110 reforça a ideia de que o Bitcoin é projetado para ser conservador, priorizando a estabilidade e o consenso sobre inovações rápidas que possam fragmentar a rede.

Para o ecossistema cripto, o caso ressalta a complexidade de implementações de protocolo em blockchains descentralizadas e o poder da base de usuários e mineradores em decidir o futuro do ativo. A lição é clara: a mudança no Bitcoin exige não apenas uma proposta técnica sólida, mas também um alinhamento quase universal entre os stakeholders, algo que a BIP-110 não conseguiu. Isso impacta desenvolvedores e mineradores, que precisam repensar estratégias para propostas futuras.

Linha do tempo

  1. Hoskinson Afirma que Proposta Quântica do Bitcoin (BTC) É um Hard Fork Disfarçado

  2. Taxas de Transação Despencam: Mineradores de Bitcoin Atingem Mínima de Uma Década

  3. O 'Soft Fork' Relâmpago do Bitcoin: Uma Lição sobre Governança e Mineração

Perguntas frequentes

O que foi a proposta BIP-110 e qual seu objetivo?

A BIP-110, ou Reduced Data Temporary Softfork, foi uma proposta de soft fork para o Bitcoin. Seu objetivo era limitar a quantidade de dados arbitrários em transações, visando coibir o uso de Ordinals, BRC-20 e Runes, que alguns desenvolvedores consideram 'spam' na rede. A proposta buscava otimizar o uso da blockchain.

Por que a BIP-110 falhou em ser ativada?

A BIP-110 falhou porque obteve apenas 2,53% de sinalização dos mineradores, bem abaixo do limite de 55% necessário para sua ativação. A falta de consenso da comunidade e dos mineradores, aliada a um erro de configuração no pool Ocean que desviou hashrate, impediu que a proposta fosse adiante.

Qual foi o papel do pool de mineração Ocean neste evento?

O pool Ocean foi o único a sinalizar suporte à BIP-110. No entanto, um erro de configuração direcionou alguns de seus mineradores para a cadeia minoritária do fork, resultando em uma perda de 96% do hashrate do pool e na necessidade de reembolsar os mineradores. O incidente levou à saída de Luke Dashjr do papel editorial de BIPs e de sua licença sabática do Ocean.

O que são Ordinals, BRC-20 e Runes?

Ordinals são uma forma de 'inscrição' digital que permite a criação de NFTs no Bitcoin. BRC-20 e Runes são padrões de tokens fungíveis construídos sobre a blockchain do Bitcoin. Essas tecnologias utilizam o espaço de bloco da rede para armazenar dados, o que gerou debate e levou à proposta da BIP-110 para limitar seu uso.

Fontes

Avalie este artigo:
Compartilhar:
Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
17 de agosto de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

Quer receber mais sobre CEVIU Cripto?

Conteúdo curado diariamente, direto no seu e-mail.

Conteúdo curado diariamenteDiversas categoriasCancele quando quiser
O 'Soft Fork' Relâmpago do Bitcoin: Uma Lição sobre