Exploit drena bridge da Secret Network em US$ 4,67 milhões
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O exploit da Secret Network não foi um caso isolado de má implementação, foi o resultado de uma falha estrutural em um contrato ICS-20 modificado, mantido por anos sem auditoria externa e com validações críticas removidas intencionalmente na migração para um modelo de cunhagem. A vulnerabilidade permitia 'cunhagem infinita' de saTokens (versões Secret-wrapped dos ativos da Axelar), porque o contrato deixou de verificar a origem legítima do canal IBC antes de emitir tokens. Isso é diferente de exploits como o do Gravity Bridge (comprometimento de chave) ou o da Kelp DAO (falha no LayerZero): aqui, o código era funcional, mas logicamente quebrado desde 2023, e a permissão de criar canais IBC de forma permissionless na Cosmos foi o vetor operacional que tornou o ataque viável.
A privacidade nativa da Secret Network piorou a detecção: transações criptografadas esconderam o esvaziamento progressivo do escrow, o que explica os sete dias entre o ataque (10/06) e a descoberta (17/06). Enquanto isso, a Axelar negou responsabilidade pelo contrato explorado, mesmo sendo a integradora principal, e recusou congelar US$ 672 mil ainda na carteira do atacante. Esse impasse revela uma lacuna crítica no ecossistema Cosmos: contratos bridge são frequentemente desenvolvidos por terceiros, mas operam sob a reputação e infraestrutura compartilhada de redes como Axelar, Secret e IBC.
O que mudou
Em março de 2026, a Secret Network migrou o contrato ICS-20 para um novo bytecode, mas manteve as mesmas falhas de validação ausentes. O que mudou foi a gravidade da exposição: antes da migração, o contrato estava em uso limitado; após ela, passou a suportar sete tokens Axelar-wrapped (saUSDT, saUSDC etc.) com maior volume. Também mudou a postura da Axelar: em abril de 2026, após o hack da Kelp DAO, a equipe anunciou novas políticas de revisão de integrações bridge, mas não aplicou nenhuma delas à Secret, o que mostra que o compromisso com auditorias não se traduziu em ação prática para contratos já implantados.
Por que isso importa
Esse incidente expõe um risco sistêmico nas pontes cross-chain do ecossistema Cosmos: a confiança não está em um único protocolo, mas em uma cadeia de responsabilidades fragmentadas, quem escreve o contrato, quem aprova o canal IBC, quem monitora o escrow e quem responde ao incidente. A Secret Network culpou a Axelar por falta de mecanismos de pausa; a Axelar culpou a Secret por manter um contrato defeituoso. Nenhum dos dois tinha um sistema de detecção de anomalias em tempo real no escrow. Em 2026, já são 20 hacks só em junho, e mais da metade envolvem bridges ou contratos legados com checagens de validação desativadas ou omitidas.
Linha do tempo
Implantação inicial do contrato ICS-20 defeituoso na Secret Network, sem validações de canal de origem
Migração do contrato ICS-20 com atualização de bytecode, mas sem correção das falhas de validação
Ataque executado: criação de chain falsa, abertura de canal IBC e cunhagem forjada de saTokens
Descoberta do exploit após falha em transferência cross-chain por conta de escrow vazia
Divulgação pública do incidente e detalhamento técnico da falha de validação ausente
Perguntas frequentes
Por que o ataque demorou 7 dias para ser detectado?
A Secret Network criptografa todas as transações por padrão, então o esvaziamento do escrow não aparecia em blocos públicos. A detecção só ocorreu quando uma transferência cross-chain rotineira falhou, porque a conta de escrow estava vazia. Não havia alerta automático de saldo crítico ou monitoramento off-chain contínuo.
O que são saTokens e por que eles foram usados no ataque?
saTokens são versões 'wrapped' dos ativos da Axelar (como saUSDC, saWETH) rodando na Secret Network. Eles dependem de um contrato ICS-20 para cunhar tokens com lastro real. O atacante forjou pacotes IBC de uma chain falsa, enganando o contrato para cunhar saTokens sem lastro, que depois trocou por ativos reais no escrow da Axelar.
A rede Cosmos ou o protocolo IBC foram comprometidos?
Não. A Axelar confirmou que sua rede e o protocolo IBC funcionaram corretamente. O problema estava exclusivamente no contrato inteligente ICS-20 modificado pela Secret Network, um componente de camada de aplicação, não de infraestrutura de comunicação entre blockchains.
Por que a Axelar recusou congelar os US$ 672 mil restantes?
A Axelar argumentou que o contrato explorado não foi desenvolvido nem mantido por ela, e que seu papel se limita à rotação de pacotes IBC. Como o ataque ocorreu no lado da Secret Network, a empresa considerou que não tinha jurisdição técnica ou legal para intervir na carteira do atacante, mesmo tendo recebido pedido formal da Secret.
Fontes
- theblock.cofonte original
- Categoria
- CEVIU Cripto
- Publicado
- 23 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Cripto
