CEVIU Logo
Voltar

Bancos centrais miram ouro e euro enquanto reduzem dependência do dólar

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

Bancos centrais de todo o mundo planejam, pela primeira vez em três anos, reduzir sua exposição ao dólar americano a longo prazo. Um estudo do Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF), com 90 instituições que administram mais de US$ 10 trilhões em reservas, revela essa tendência. Essa "desdolarização" crescente impulsiona o euro e o yuan como alternativas atraentes, com economias avançadas preferindo o euro e mercados emergentes focando no yuan. A pesquisa, realizada entre março e maio, também destaca o ouro como um refúgio, liderando as intenções de compra de curto prazo e posicionado como proteção contra riscos geopolíticos e incertezas no sistema monetário internacional.

O que mudou

A pesquisa do OMFIF de 2026 marca a primeira vez em que a intenção de diminuir alocações em dólar supera o desejo de aumentá-las. Em relação ao ano passado, a proporção de bancos centrais que detêm ouro físico subiu de 71% para 82%. Além disso, 51% citaram a proteção contra risco geopolítico como fator para a compra de ouro, um aumento de 11% em comparação com 2024. A atratividade do euro para o comércio global também cresceu, com dois terços dos pesquisados considerando-o mais atraente, contra 43% no ano anterior.

Por que isso importa

Essa movimentação representa um realinhamento estratégico nas carteiras globais, um sinal claro da crescente fragmentação e incerteza no sistema monetário internacional, onde 79% dos gestores de reservas veem uma transição para uma estrutura multipolar [valor.globo.com](https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/06/30/bancos-centrais-planejam-reduzir-reservas-em-dolar-aponta-pesquisa.ghtml). Para o ecossistema cripto, essa desdolarização pode acelerar a busca por novas formas de valor e armazenamento, especialmente em meio à discussão sobre stablecoins lastreadas em diversas moedas e até depósitos tokenizados. Stablecoins, que hoje são predominantemente atreladas ao dólar, enfrentam questionamentos sobre sua resiliência em um cenário de enfraquecimento da moeda americana, conforme apontado por análises anteriores do CEVIU sobre a dependência em USD e a necessidade de diversificação.

Linha do tempo

  1. CEVIU aponta que stablecoins lastreadas em dólar perderam valor e sugere diversificação.

  2. A Delphi Digital mapeia stablecoins como 19º maior detentor de títulos do tesouro dos EUA.

  3. Pesquisa da Nomura indica que 80% dos investidores institucionais planejam investir em cripto e DeFi.

  4. Relatório da Moody's prevê uma curva de tokenização "lenta e depois rápida", tornando a tokenização ampla de ativos inevitável.

  5. CEVIU projeta que depósitos tokenizados podem substituir stablecoins a longo prazo.

  6. Grandes bancos dos EUA criam rede de depósitos tokenizados para competir com stablecoins.

  7. World Gold Council lança a pesquisa Central Bank Gold Reserves Survey 2026, indicando que 45% dos bancos planejam comprar ouro.

  8. OMFIF divulga pesquisa revelando que bancos centrais planejam reduzir exposição ao dólar e aumentar reservas em ouro, euro e yuan.

Perguntas frequentes

Por que os bancos centrais estão reduzindo a exposição ao dólar?

A redução da exposição ao dólar é impulsionada por diversos fatores, entre eles o aumento dos riscos geopolíticos e a percepção de que o sistema monetário global está caminhando para uma estrutura multipolar, conforme sinalizado pela pesquisa do OMFIF. As tensões globais expandidas para além de guerras comerciais contribuem para essa reavaliação de riscos.

Que alternativas ao dólar estão sendo consideradas?

Os bancos centrais veem o euro e o yuan como alternativas atraentes. Economias avançadas tendem a favorecer o euro, enquanto mercados emergentes focam no yuan. O ouro também se destaca, sendo o ativo com maior intenção de compra de curto prazo como proteção contra riscos geopolíticos e incertezas do sistema monetário internacional.

Qual o papel do ouro nessa nova estratégia?

O ouro se tornou um componente central na estratégia de gestão de reservas, considerado um "beneficiário mais claro" dos riscos atuais. 82% dos bancos centralizados pesquisados já detêm ouro físico, um aumento significativo em relação ao ano anterior [valor.globo.com](https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/06/30/bancos-centrais-planejam-reduzir-reservas-em-dolar-aponta-pesquisa.ghtml). Além disso, 45% planejam aumentar suas reservas de ouro no próximo ano, a maior porcentagem já registrada [bloomberglinea.com](https://www.bloomberglinea.com/mercados/reserva-estrategica-mais-bancos-centrais-dizem-planejar-compra-de-ouro-em-2026/).

Como isso impacta o mercado de stablecoins?

Com a maioria das stablecoins lastreadas em dólar, a desdolarização pode gerar pressões para diversificação das suas garantias. Artigos anteriores do CEVIU já abordaram a vulnerabilidade das stablecoins focadas em dólar e a ascensão de depósitos tokenizados, que podem oferecer alternativas mais resilientes a longo prazo neste cenário. A busca por outros ativos para lastrear ou tokenizar está no horizonte.

Fontes

Avalie este artigo:
Compartilhar:
Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
01 de julho de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

Quer receber mais sobre CEVIU Cripto?

Conteúdo curado diariamente, direto no seu e-mail.

Conteúdo curado diariamenteDiversas categoriasCancele quando quiser