Menos é mais, mais ou menos
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
Na era da IA, produzir mais é fácil. Criar dez versões de uma interface, gerar mil linhas de código ou animar cada botão virou um prompt. Mas o que antes era esforço virou ruído. O artigo de Jakub Krzysztof aponta para um paradoxo: quanto mais poder temos para adicionar, mais necessário se torna saber o que remover. A qualidade não surge da quantidade de funcionalidades, mas da clareza com que cada elemento serve ao usuário. Um menu que anima na abertura e no fechamento pode parecer elegante, até você perceber que, com 200 usos diários, isso gasta seis horas por ano da atenção do usuário. Essa é a matemática silenciosa do design: o que parece bom em protótipo vira irritação em escala.
Engenheiros e designers hoje não são avaliados por quantos commits fazem, mas por quantas coisas deixaram de fazer. A IA executa, mas não julga. Ela não entende que um efeito visual pode atrapalhar a fluidez cognitiva, nem que um código mais curto é mais fácil de manter, menos propenso a bugs e mais rápido de depurar. A diferença entre um produto bom e um ótimo está nos detalhes que ninguém pediu, mas que alguém decidiu não incluir. Essa disciplina, saber dizer não, é a nova competência rara.
Por que isso importa
Empresas que ainda medem produtividade por linhas de código ou número de features lançadas estão correndo risco. A IA amplifica tanto a criatividade quanto a preguiça mental. Quem não desenvolve julgamento crítico acaba entregando produtos cheios de ruído visual e técnico, o que parece moderno, mas cansa. O verdadeiro diferencial hoje não está em quem usa IA melhor, mas em quem sabe quando não usá-la. Isso exige domínio profundo do problema, do usuário e do contexto. Não basta ter o poder de construir. É preciso ter a sabedoria de recusar.
Linha do tempo
Artigo de Jakub Krzysztof reafirma que na era da IA, saber o que não construir é a habilidade mais crítica
Perguntas frequentes
Por que animações em menus podem ser ruins mesmo parecendo boas?
Animações que parecem elegantes em demonstrações se tornam irritantes em uso real. Se um menu é aberto 200 vezes por dia, uma animação de 300ms gasta seis horas por ano só com transições. O cérebro humano prefere previsibilidade. Quando algo que você usa milhares de vezes não age de forma consistente, a experiência se desgasta. O bom design não é o que mais se move, mas o que se move só quando necessário.
Como a IA muda a definição de um bom engenheiro?
Antes, um bom engenheiro era quem escrevia mais código. Hoje, é quem escreve menos, e melhor. A IA gera código rapidamente, mas não avalia se ele é necessário, legível ou sustentável. O valor agora está em revisar, refinar e rejeitar. O engenheiro que entende o contexto, questiona cada linha gerada e prioriza simplicidade é o mais valioso, mesmo que produza menos commits.
O que significa 'não terceirizar seu pensamento para a IA'?
Significa não aceitar o que a IA produz como verdade absoluta. Ela pode gerar código, textos ou designs, mas não entende o propósito do produto, o comportamento do usuário ou os compromissos de negócio. Se você não consegue explicar por que uma mudança foi feita, provavelmente ela foi feita sem intenção. O uso correto da IA exige que você seja o juiz, não o copista.
Por que simplicidade exige mais entendimento do que complexidade?
Adicionar coisas é automático: basta pedir. Remover exige entender o impacto de cada elemento, como ele se relaciona com outros e se realmente serve ao objetivo. A simplicidade não é ausência de recursos, mas a eliminação do que não contribui. Isso só acontece quando você entende profundamente o problema, e não apenas o que é possível fazer.
Fontes
- jakub.krfonte original
- Categoria
- CEVIU
- Publicado
- 24 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU

