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Construí uma linguagem de programação usando o Claude Code

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Cutlet não é só mais uma linguagem de programação: é um experimento de engenharia inversa da própria IA. Criada em C por Ankur Sethi e lançada em 10 de março de 2026, ela foi gerada inteiramente pelo Claude Code, sem revisão humana do código-fonte. Ao contrário de projetos anteriores que usaram LLMs como auxílio (ex.: sugestões ou geração de snippets), Cutlet é o primeiro caso documentado em que um assistente agêntico escreveu, testou e iterou sobre um interpretador completo, com REPL funcional, coletor de lixo mark-and-sweep e sandboxing nativo. Sua sintaxe minimalista, uma linha por comando, substituição de variáveis embutida, herda a filosofia utilitária da Tcl, mas com camadas de expressividade de Python e JavaScript, especialmente para pipelines e subprocessos.

O projeto revela limites práticos atuais da geração autônoma por IA: ainda falta I/O de arquivos e tratamento robusto de erros, e o repositório no GitHub não tem licença, Sethi admitiu que partes do código podem conter trechos derivados de interpretadores Lua e Python, gerando dúvidas legais reais. Ferramentas como clang-tidy e clang-format são acionadas pelo próprio Claude após cada ciclo de mudança, mostrando como a qualidade depende menos da 'inteligência' do modelo e mais da cadeia de validação humana indireta.

Por que isso importa

Cutlet expõe uma virada concreta: não estamos mais no estágio de 'IA ajuda a codar', mas no de 'IA constrói ferramentas que definem como se programa'. Ela desafia a ideia de que linguagens devem nascer de decisões explícitas de design, aqui, o design emergiu de padrões estatísticos absorvidos por um modelo treinado em milhões de linhas de código aberto. Para desenvolvedores, isso significa que o próximo Bash pode não vir de um time de engenheiros, mas de um prompt bem estruturado e um pipeline de validação automatizada. E para empresas, sinaliza que a produtividade não será medida apenas em linhas por hora, mas em 'quantas camadas de abstração uma IA consegue implementar sozinha, e manter funcionais'.

Linha do tempo

  1. Lançamento em pré-visualização do Claude Code pela Anthropic

  2. Disponibilidade geral do Claude Code, junto com o Claude 4

  3. Lançamento da versão web e recurso de sandboxing para o Claude Code

  4. Lançamento oficial da linguagem Cutlet, gerada integralmente pelo Claude Code

  5. Divulgação pública do projeto Cutlet e detalhamento técnico por Ankur Sethi

Perguntas frequentes

Cutlet já pode substituir o Bash em produção?

Não. Ainda falta suporte nativo a I/O de arquivos e tratamento de erros robusto. Ela funciona bem em pipelines simples e REPL interativo, mas não está pronta para tarefas críticas de automação de infraestrutura. O foco atual é validação conceitual, não maturidade operacional.

Por que o criador não colocou licença no repositório?

Ankur Sethi afirmou que o código gerado pelo Claude Code pode conter trechos derivados de interpretadores Lua e Python, cujas licenças (como a MIT ou GPL) exigem atribuição ou têm restrições de redistribuição. Sem revisão humana do código-fonte, ele optou por deixar o repositório sem licença explícita até que a origem de cada componente seja auditada.

O Claude Code realmente escreveu tudo sozinho?

Sim, segundo o autor, nenhuma linha do interpretador foi escrita ou editada manualmente por humanos. O Claude Code planejou, gerou, compilou, testou com programas de exemplo (também gerados por ele) e aplicou formatação e análise estática via clang-format e clang-tidy, tudo dentro de um fluxo agêntico contínuo.

Qual é a diferença entre Cutlet e outras linguagens geradas por IA, como Mochi ou GPTScript?

Cutlet é um interpretador executável escrito em C, com memória gerenciada e REPL real. Linguagens como Mochi ou GPTScript são camadas de orquestração em cima de Python ou JavaScript, wrappers, não implementações independentes. Cutlet roda nativamente, sem dependência de outro runtime.

Fontes

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Categoria
CEVIU
Publicado
11 de março de 2026
Editoria
CEVIU

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