CEVIU Logo
Voltar
Nova política da Cloudflare exige que empresas de IA paguem por conteúdos de publishers

Nova política da Cloudflare exige que empresas de IA paguem por conteúdos de publishers

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A Cloudflare não está só mudando regras de bloqueio: está redesenhando a governança de dados na borda. A nova política, reportada pelo TechCrunch artigo original, transforma o WAF em um ponto de controle comercial, não apenas de segurança. Ao exigir que crawlers declarem intenção explícita (busca, treinamento ou agente) via BotBase e ao migrar do Pay Per Crawl para o Pay Per Use, a empresa passa a monetizar o valor gerado, não o acesso bruto. Isso impacta diretamente arquiteturas de ingestão de dados em nuvem: empresas de IA terão de refatorar seus pipelines para separar bots por finalidade, com headers específicos, user-agents verificados e mecanismos de pagamento integrados à borda, algo que já é possível no AWS WAF desde junho, mas agora ganha força como padrão de mercado.

O modelo exige que editores definam políticas de uso em tempo real, sem depender de robots.txt ou meta-tags. A limitação prática? O sistema ainda depende de adoção voluntária: se um publisher não ativar o Pay Per Use, o crawler pode passar livre. E mesmo com ativação, não há garantia de atribuição clara quando uma resposta de IA mescla 12 fontes distintas, o que torna a cobrança por 'uso' tecnicamente frágil até que haja padronização de proveniência (como RAI ou C2PA aplicados a conteúdos web).

O que mudou

A cobertura CEVIU de 1º de julho mostrava a Cloudflare anunciando iniciativas para tornar buscas com IA mais inteligentes, mas sem mecanismo de cobrança obrigatório. Agora, em 3 de julho, a empresa impõe prazo concreto (15/09/2026) e muda o comportamento padrão: bloqueio automático de crawlers de uso misto em páginas com anúncios. O que era opção virou regra. Também evoluiu o modelo comercial: o Pay Per Crawl, testado em 2025, foi substituído pelo Pay Per Use, onde o publisher é pago só quando seu conteúdo gera valor direto (ex.: aparece em resultado de busca da Ceramic.ai), não quando é simplesmente raspado.

Por que isso importa

Para equipes de TI e arquitetos de nuvem, isso significa revisão imediata de políticas de crawling em ambientes produtivos. Robôs que hoje usam um único user-agent para busca + treinamento precisam ser divididos, com autenticação, rate limiting e integração com gateways de pagamento (USDC via red, como no AWS WAF). Do lado dos publishers, é uma oportunidade de monetização na borda, mas também um risco de lock-in: se 70% dos sites usarem Cloudflare, sua plataforma vira o novo ponto de controle centralizado de royalties de IA. Isso afeta decisões de compliance (LGPD, DMA), custos operacionais (bandwidth consumido por crawlers redundantes) e até contratos de licenciamento de conteúdo com parceiros de IA.

Linha do tempo

  1. AWS WAF lança monetização de tráfego de IA para cobrar bots e agentes

  2. AWS WAF lança recurso de monetização de tráfego de IA com precificação por caminho e categoria de bot

  3. AWS WAF introduz cobrança automatizada em USDC via red e retorno HTTP 402

  4. Cloudflare lança iniciativas para tornar buscas com IA mais inteligentes

  5. Cloudflare impõe prazo de 15/09/2026 para bloqueio de crawlers de uso misto e migra para Pay Per Use

Perguntas frequentes

O que é 'crawler de uso misto' e por que ele será bloqueado?

É um robô que combina funções distintas, como indexar páginas para busca tradicional, treinar modelos de linguagem e alimentar agentes de IA, tudo num único fluxo de requisições. A Cloudflare o bloqueia porque dificulta a governança: publishers não conseguem saber se estão sendo usados para pesquisa (aceitável) ou para extração de IP sem compensação (não aceitável).

Como o 'Pay Per Use' difere do 'Pay Per Crawl'?

No Pay Per Crawl, o publisher cobrava por cada página raspada, mesmo que o conteúdo fosse descartado ou duplicado. No Pay Per Use, o pagamento ocorre só quando o conteúdo é efetivamente utilizado: por exemplo, quando aparece em um resultado de busca da Ceramic.ai ou em uma resposta gerada por um agente do You.com. É cobrança por valor entregue, não por tráfego consumido.

Essa política se aplica a todos os sites ou só aos que usam Cloudflare?

Só aos que usam Cloudflare, mas isso representa mais de 25% dos sites globais. Os bloqueios ocorrem nas configurações padrão para novos clientes, novos sites de clientes existentes e todos os clientes gratuitos. Editores podem desativar manualmente, mas perderiam proteção contra crawlers abusivos e acesso ao modelo de monetização.

A Amazon já fez algo parecido com o AWS WAF?

Sim. Desde 15 de junho de 2026, o AWS WAF oferece monetização de tráfego de IA com suporte a pagamentos em USDC, retorno HTTP 402 Payment Required e integração nativa com CloudFront. Mas, diferentemente da Cloudflare, o AWS WAF exige configuração explícita por parte do editor, não muda o comportamento padrão automaticamente.

Fontes

Avalie este artigo:
Compartilhar:
Categoria
CEVIU TI
Publicado
03 de julho de 2026
Editoria
CEVIU TI

Quer receber mais sobre CEVIU TI?

Conteúdo curado diariamente, direto no seu e-mail.

Conteúdo curado diariamenteDiversas categoriasCancele quando quiser