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Grupo Silent Ransom mira escritórios de advocacia com falso suporte de TI

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O Silent Ransom (UNC3753) não é um grupo de ransomware tradicional, é um operador de extorsão de dados puro, que surgiu em 2022 da dissolução do Conti e opera desde a Rússia. Seu modelo econômico depende da velocidade de exfiltração e da pressão regulatória: ele não criptografa sistemas, mas explora o fato de que escritórios de advocacia armazenam dados sensíveis em nuvem (como SharePoint, OneDrive e sistemas de gerenciamento de documentos jurídicos) sem controles de acesso granulares, auditoria de download ou DLP efetivo. A nova tática de chamadas de suporte de TI falsas, reportada pela Mandiant em 8 de junho, é uma evolução direta da abordagem física já alertada pelo FBI em 28 de maio, agora o grupo prioriza o acesso remoto via ferramentas legítimas (AnyDesk, Zoho Assist), reduzindo risco operacional e aumentando escala. Em alguns casos, o ciclo completo, do primeiro e-mail de phishing à exfiltração de contratos jurídicos e arquivos financeiros, leva menos de 60 minutos.

Isso expõe falhas estruturais na governança de TI jurídica: muitos escritórios ainda não adotam MFA obrigatório em contas de administrador de nuvem, não restringem instalação de software por usuários finais e não monitoram atividades de compartilhamento de tela ou sessões remotas em tempo real. O custo operacional dessa vulnerabilidade não é só o resgate, é a multa potencial sob a LGPD (art. 46, parágrafo único), a perda de clientes por quebra de confiança contratual e o risco de ações civis coletivas por vazamento de PII de terceiros.

O que mudou

Em 28 de maio, o CEVIU noticiou o uso de visitas físicas pelo Silent Ransom após falha no acesso remoto. Agora, em 8 de junho, a Mandiant confirma que o grupo está priorizando o canal remoto, com chamadas telefônicas mais sofisticadas, pré-textos baseados em migração de e-mail e faturas falsas, e uso de ferramentas de RMM legítimas. Isso não substituiu, mas suplantou a tática física como primeira opção: o FBI alertou sobre a visita presencial como fallback; hoje, ela é exceção, não regra. Também houve mudança no alvo técnico: antes, os atacantes focavam em credenciais de e-mail; agora, buscam diretamente acesso a pastas compartilhadas no SharePoint e a repositórios de documentos jurídicos com permissões excessivas.

Por que isso importa

Escritórios de advocacia são alvos ideais porque concentram dados altamente sensíveis com baixa maturidade em segurança de nuvem, e muitos ainda tratam compliance como checklist, não como arquitetura. Um único acesso remoto autorizado por engenharia social pode expor milhares de processos, acordos de confidencialidade e dados bancários de clientes. A ameaça não está no malware, mas na ausência de políticas de acesso just-in-time, na falta de segmentação de rede entre ambientes de colaboração e de produção jurídica, e na ausência de resposta automatizada a sessões remotas suspeitas. Para CIOs e DPOs, isso exige repensar o modelo de suporte interno: quem autoriza instalação de AnyDesk? Quem valida chamadas de 'TI externa'? E onde estão os logs dessas sessões, e quem os revisa?

Linha do tempo

  1. FBI alerta sobre visitas físicas de membros do Silent Ransom a escritórios de advocacia

  2. Mandiant detalha nova fase de ataques com chamadas de suporte de TI falsas e uso de ferramentas legítimas de acesso remoto

Perguntas frequentes

O Silent Ransom usa ransomware de verdade?

Não. Eles nunca criptografam arquivos. São especializados em roubo de dados e extorsão com ameaça de divulgação. Não há 'descriptografia' possível, o dano é irreversível assim que os dados saem da rede.

Por que escritórios de advocacia são alvos preferenciais?

Porque lidam com dados sensíveis de alta valorização no mercado negro (PII, contratos, informações financeiras), têm ciclos de resposta lentos a incidentes e frequentemente usam ferramentas de nuvem com permissões amplas, sem DLP ou controle de exfiltração.

Como identificar uma chamada fraudulenta de suporte de TI?

Nenhum fornecedor legítimo liga pedindo para você instalar software remoto ou compartilhar tela. Verifique sempre o número de origem, não clique em links de e-mails que antecedem a ligação e valide a identidade do suposto técnico com seu time interno, por outro canal.

Qual é a consequência legal mais imediata de um vazamento causado por essa tática?

Notificação compulsória à ANPD em até 72 horas, além de risco de multa de até 2% do faturamento no Brasil, e, se envolver dados de clientes estrangeiros, aplicação simultânea de GDPR ou CCPA, com multas ainda maiores.

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Categoria
CEVIU TI
Publicado
08 de junho de 2026
Fonte
CEVIU TI

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