Por que a maioria das features não gera valor, e como validar antes de lançar
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A entrevista é com Itamar Gilad, ex-líder de partes do Gmail no Google e autor de Evidence-Guided. A tese central: no máximo uma em cada três ideias tem efeito mensurável. Ele cita três fontes para isso: análises de testes A/B, a distribuição em lei de potência no uso de features (poucas muito usadas, muitas raramente) e a análise retroativa de roadmaps. A causa, segundo ele, é comportamental: o usuário ignora o novo e segue com o que já conhece. Para uma feature dar certo, ele precisa descobri-la, testá-la uma vez e continuar usando, pagando o custo de aprender algo novo.
Gilad conta o caso de uma ideia estratégica do Gmail que passou em fake-door e em testes de usabilidade, foi implementada por inteiro (com custo alto para a equipe e outras áreas) e só então falhou no teste A/B. Dali nasceu o Confidence Meter, escala de 0 a 10 em que opiniões valem no máximo 0,1, revisão e análise em papel até 0,5, e dados de apoio nunca passam de 3. Os testes e os dados pós-lançamento ficam no topo. O GIST organiza o trabalho em Goals, Ideas, Steps e Tasks, e o nível de evidência exigido depende do custo e do risco da ideia.
O que mudou
A entrevista conversa com linhas que o CEVIU já vinha cobrindo. Em 13 de abril de 2026, o CEVIU noticiou "Toda Funcionalidade Deve Conquistar Seu Espaço", sobre o custo de manter features mesmo quando construí-las ficou barato. Em 2 de junho de 2026, em "Quando o código se torna barato: o que ainda vale no desenvolvimento?", o foco era o gargalo migrar para revisão e testes. Em 23 de junho de 2026, "Por que o score de confiança falha" criticava scores de confiança em frameworks como RICE. Em 9 de outubro de 2026, "A Crucial Necessidade da Validação de Produto no Desenvolvimento com IA" tratava do risco de a IA reproduzir mal-entendidos. A novidade agora é o dado de uma em três e um método concreto (Confidence Meter) para graduar evidência.
Por que isso importa
Para quem decide roadmap, a leitura é direta: se código barato empurra o time a lançar sem validar, o gargalo passa a ser aprender, não construir. Medir resultado de lançamento e acompanhar métricas de adoção, como ideias testadas por trimestre, parece o primeiro passo mais barato. Vale também desconfiar de fake-doors e usabilidade como prova final, como o próprio caso do Gmail sugere.
Linha do tempo
CEVIU noticia que toda funcionalidade deve conquistar seu espaço, pois mantê-la segue cara.
CEVIU discute o que vale no desenvolvimento quando o código fica barato.
CEVIU explica por que scores de confiança falham em frameworks como RICE.
CEVIU aborda a necessidade da validação de produto no desenvolvimento com IA.
Entrevista com Itamar Gilad apresenta o dado de uma em três ideias, o GIST e o Confidence Meter.
Perguntas frequentes
De onde vem a ideia de que só uma em cada três features funciona?
Gilad cita análises de testes A/B, em que no máximo um terço dos experimentos gera o efeito esperado. Ele soma a isso a lei de potência no uso de features e a revisão retroativa de roadmaps. Em todos os casos, o motivo é a dificuldade de mudar o comportamento do usuário.
O que é o Confidence Meter?
É uma ferramenta que mede o peso da evidência a favor de uma ideia, numa escala de 0 a 10. Opiniões valem até 0,1, revisão em papel até 0,5 e dados de apoio até 3. Testes e dados pós-lançamento rendem as maiores notas.
O que significa GIST?
São as iniciais de Goals, Ideas, Steps e Tasks. Define metas por resultado, avalia ideias por impacto, custo e confiança, valida premissas em Steps (experimentos) e conecta as tarefas a tudo isso, por exemplo num GIST board.
Com IA escrevendo código barato, ainda vale validar?
Para Gilad, vale ainda mais. Validar nunca foi só economizar tempo de código, e sim evitar inchar o produto com features pouco usadas. Lançar e iterar também dificulta medir o efeito isolado da feature.
Fontes
- newsletter.techworld-with-milan.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Gestão de Produtos
- Publicado
- 30 de outubro de 2026
- Editoria
- CEVIU Gestão de Produtos

