A IA consegue criar um iPhone?
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
A ideia de que a IA pode 'criar um iPhone' não é sobre capacidade técnica de gerar protótipos, mas sobre a ausência estrutural de taste, uma disciplina produtiva que opera por exclusão, não por geração. No Product Management, isso se traduz em decisões implacáveis: recusar features populares, descartar dados que parecem úteis mas diluem o foco, manter restrições de interface mesmo quando elas custam esforço extra ao time. O iPhone não venceu por ter mais funcionalidades que o Blackberry, mas por ter menos botões, menos menus, menos camadas entre intenção e ação, e isso só se sustenta com um PM que entende que estratégia é o que você não faz.
Taste Labs tenta externalizar essa disciplina como um serviço: substituir o julgamento humano por um 'corpo de tastemakers' treinando modelos com preferências curadas. Mas o risco é transformar taste em um sinal de consumo, algo mensurável, votável, otimizável, quando, na prática, é um ato solitário de liderança de produto: dizer 'não' mesmo sabendo que o 'sim' seria mais fácil, mais rápido e mais aplaudido.
Por que isso importa
Para PMs brasileiros construindo produtos digitais em ambientes de pressão por crescimento rápido, essa reflexão é urgente. Muitos times adotam IA para acelerar descoberta, validação ou design, mas sem um north star de taste, o resultado é um produto que funciona, mas não ressoa; que resolve, mas não encanta; que escala, mas não retém. A lição do iPhone não é 'faça menos', mas 'escolha com brutalidade o que deve ser seu único ponto de contato com o usuário'. Isso não se treina com dados. Se constrói com cultura, com critério explícito e com autoridade delegada, algo que nenhuma IA, por mais bem treinada, pode delegar por você.
Perguntas frequentes
Taste Labs realmente ensina IA a ter 'bom gosto'?
Não. Ela treina modelos com base nas preferências de um grupo seleto de avaliadores, o que aproxima a saída de um viés estético específico, mas não garante 'bom gosto' no sentido amplo. Gosto envolve contexto histórico, ética de uso e impacto emocional, coisas que não cabem em um sistema de votação.
Posso usar IA para validar hipóteses de produto com mais eficiência?
Sim, desde que você defina com clareza os critérios de validação antes de gerar qualquer saída. IA acelera testes, mas não substitui a decisão de quais métricas importam mais: retenção? conversão? tempo de tarefa? satisfação subjetiva? Sem isso, você otimiza para o que é fácil medir, não para o que é certo.
Como desenvolvedores e PMs podem cultivar 'taste' em equipes?
Com rotinas concretas: revisões de design que obrigam a justificar cada elemento removido (não apenas adicionado), briefings com restrições forçadas ('máximo 3 cliques para concluir'), e retrospectivas que perguntam: 'O que cortamos hoje que nos deixou mais próximos da visão?'
Fontes
- benn.substack.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Gestão de Produtos
- Publicado
- 23 de junho de 2026
- Editoria
- CEVIU Gestão de Produtos

