HAMi é incubado na CNCF e impulsiona compartilhamento de GPUs no Kubernetes
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Aprofundamento
A alocação e o compartilhamento de GPUs em Kubernetes sempre foram um desafio técnico. Historicamente, a API de device plugin do Kubernetes contava dispositivos apenas como inteiros, sem granularidade para fatiamento de recursos como memória ou cores da GPU. Isso forçou projetos como o HAMi a desenvolverem suas próprias arquiteturas, com webhooks mutantes e extensores de agendamento, para traduzir requisições de pods em alocações reais, usando anotações customizadas para registrar decisões de agendamento e aplicar limites via bibliotecas no runtime do contêiner.
Com a chegada do Dynamic Resource Allocation (DRA) no Kubernetes, especialmente com a funcionalidade de consumable capacity a partir do v1.36 (beta por padrão), o cenário muda. O DRA introduz um modelo de claims (reivindicações) similar ao de PersistentVolumeClaims (PVCs), permitindo que o Kubernetes entenda e agende fatias de recursos de GPU nativamente. Isso significa que requisições como "8.000 MiB de memória e 10% de cores de GPU" podem ser expressas diretamente e compreendidas pelo agendador do Kubernetes, eliminando a necessidade de grande parte da lógica de agendamento personalizada do HAMi. No entanto, o DRA foca no agendamento e não na imposição dos limites em runtime. É aí que a camada de enforcement do HAMi, via libvgpu.so, continua crucial, garantindo que um contêiner não exceda sua cota, mesmo que o hardware físico ainda tenha recursos.
O que mudou
A cobertura anterior do CEVIU News, em 17 de julho de 2026, já destacava a promoção do HAMi a projeto de incubação da CNCF, um marco para a virtualização de GPU no Kubernetes. Agora, a grande mudança é a adaptação do HAMi ao Dynamic Resource Allocation (DRA) do Kubernetes. O que antes era uma solução de contorno para o agendamento de recursos fracionados de GPU (com webhooks e extensores de agendamento próprios), agora converge para uma integração mais nativa com o Kubernetes.
O HAMi se divide em componentes específicos: o k8s-dra-driver publica a capacidade das GPUs como recursos consumíveis para o DRA, e o HAMi-DRA, um webhook de admissão, traduz as antigas requisições de recursos estendidos em claims nativos do DRA. Essa evolução realinha o HAMi com o core do Kubernetes, mantendo sua camada única de enforcement de runtime via HAMi-core. O que era uma abordagem quase "forkada" do agendamento, agora se torna um complemento ao mecanismo padrão do Kubernetes, entregando uma promessa que o DRA por si só não cumpriria: a garantia de limites de recursos em tempo de execução.
Por que isso importa
Para engenheiros de plataforma e times de DevOps, a evolução do HAMi e sua integração com o DRA do Kubernetes representam um salto na eficiência e na gestão de custos em cargas de trabalho intensivas em GPU. Conforme já destacamos na cobertura de 27 de março de 2026, sobre a construção de um padrão nativo de Kubernetes para IA, e na notícia de 4 de abril de 2026 sobre o llm-d da CNCF, a capacidade de escalar IA no Kubernetes depende da infraestrutura subjacente.
A união HAMi-DRA permite o compartilhamento granular de GPUs, o que otimiza a utilização de hardware caríssimo e reduz custos operacionais. Isso é especialmente relevante em cenários de Machine Learning (ML) e IA, onde a demanda por GPUs é alta e o subaproveitamento é um problema. Times agora podem oferecer um provisionamento mais flexível e robusto de GPUs, garantindo que os recursos sejam alocados de forma justa e que os limites sejam impostos em runtime, prevenindo a "fome de recursos" e promovendo um uso mais estável do cluster.
Linha do tempo
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HAMi incuba na CNCF e impulsiona compartilhamento de GPUs no Kubernetes com adaptação ao DRA.
Perguntas frequentes
O que é HAMi e qual seu propósito no Kubernetes?
HAMi é uma solução de virtualização de GPU para Kubernetes que permite o fatiamento e o compartilhamento de recursos de GPUs entre múltiplos pods. Sua função principal é otimizar a utilização de hardware de GPU, especialmente em ambientes de IA e ML, onde esses recursos são caros e escassos.
Como o Dynamic Resource Allocation (DRA) muda o cenário para o compartilhamento de GPUs?
O DRA é uma nova funcionalidade do Kubernetes que oferece um modelo nativo para agendamento e alocação de recursos de hardware, incluindo GPUs, com granularidade. Ele permite que os pods solicitem fatias específicas de memória e processamento de GPU diretamente ao agendador do Kubernetes, substituindo as abordagens de contorno anteriores.
HAMi ainda é necessário após a introdução do DRA no Kubernetes?
Sim, HAMi continua essencial. Enquanto o DRA do Kubernetes cuida do agendamento e da alocação das fatias de GPU, ele não impõe limites em tempo de execução. A camada de enforcement do HAMi, com a biblioteca HAMi-core, é responsável por garantir que um contêiner não ultrapasse sua cota alocada, prevenindo problemas de performance e estabilidade em clusters compartilhados.
Quais são os principais benefícios dessa integração para as operações de TI?
A integração HAMi-DRA proporciona maior eficiência no uso de GPUs, redução de custos de hardware e melhor estabilidade em clusters Kubernetes. Para DevOps e engenharia de plataforma, significa um gerenciamento mais robusto e automatizado dos recursos de GPU, com a garantia de que as alocações serão respeitadas tanto no agendamento quanto no runtime.
Fontes
- cncf.iofonte original
- Categoria
- CEVIU DevOps
- Publicado
- 10 de agosto de 2026
- Editoria
- CEVIU DevOps
