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Kepler passa por reescrita profunda: abandona eBPF e ganha precisão no rastreamento de consumo energético em Kubernetes

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Em 2024, data centers foram responsáveis por 1,5% do consumo global de energia, com projeção de dobrar para 945 TWh até 2030, impulsionados por workloads de IA. No Kubernetes, a falta de métodos integrados para alocar o consumo de energia por workload tem sido um desafio. O Kepler aparece como solução, lendo medidores de hardware, atribuindo esse consumo a processos Linux, associando-os a Pods no cluster e exportando métricas para Prometheus. A nova arquitetura do Kepler se distancia do eBPF e usa acesso somente leitura aos diretórios /proc e /sys, presentes em todos os sistemas Linux. Essa mudança reduz a necessidade de privilégios elevados, facilitando a portabilidade do Kepler para diferentes ambientes e garantindo que ele não seja um gargalo de segurança.

O que mudou

A versão 0.10.0 do Kepler representa uma reescrita arquitetural completa, corrigindo deficiências da versão anterior. Antes, a dependência do eBPF exigia privilégios CAP_BPF e CAP_SYSADMIN, um obstáculo em ambientes de produção. O eBPF também se mostrou propenso a erros, especialmente com processos de curta duração, resultando em footprints de energia imprecisos. A reescrita eliminou essa dependência, agora precisando apenas de acesso de leitura para /proc e /sys, o que diminui drasticamente os requisitos de segurança. Além disso, o Kepler agora detecta dinamicamente a estrutura do medidor de energia do host, ao invés de assumir uma estrutura pré-definida de RAPL, garantindo métricas mais precisas em diversas topologias de hardware. A precisão, antes limitada na atribuição de energia e na detecção de VMs e contêineres, foi aprimorada significativamente, com testes mostrando lacunas de atribuição de energia próximas de zero. A cobertura de testes unitários e de integração alcançou 90%, garantindo maior confiabilidade e facilidade de manutenção a longo prazo, algo ausente na versão legada.

Por que isso importa

O monitoramento preciso do consumo de energia em ambientes de nuvem, especialmente em Kubernetes, impacta diretamente os custos operacionais e a sustentabilidade. A capacidade do Kepler de atribuir o uso de energia a cargas de trabalho específicas ajuda as equipes de plataforma e DevOps a identificar e otimizar workloads ineficientes. Isso é crucial em um cenário onde a demanda por energia em data centers cresce exponencialmente, impulsionada por IA. Reduzir a pegada de carbono e economizar recursos financeiros andam juntos. A melhoria na precisão e a diminuição dos requisitos de segurança do Kepler o tornam uma ferramenta poderosa para engenheiros que buscam construir e manter infraestruturas mais enxutas e verdes, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental.

Linha do tempo

  1. Kepler entra como projeto sandbox na CNCF.

  2. IEA publica relatório 'Energy and AI', destacando crescimento do consumo de energia por IA.

  3. CNCF anuncia a reestruturação do Kepler, eliminando a dependência do eBPF.

  4. Notícia: Kepler é reestruturado e elimina dependência de eBPF para melhorar precisão no consumo de energia.

Perguntas frequentes

O que é o projeto Kepler e qual seu objetivo principal?

O Kepler é um projeto da CNCF que monitora o consumo de energia em clusters Kubernetes. Ele lê dados de medidores de hardware, atribui esse consumo a processos Linux e Pods, e exporta métricas para o Prometheus, ajudando a otimizar a eficiência energética de workloads.

Por que o Kepler eliminou a dependência do eBPF?

A dependência do eBPF causava problemas com privilégios elevados (CAP_BPF e CAP_SYSADMIN) e imprecisão no rastreamento de processos de curta duração. A remoção visa melhorar a segurança, a precisão e a facilidade de implantação, utilizando acesso padrão somente leitura aos diretórios /proc e /sys.

Como a nova arquitetura do Kepler melhora a precisão na medição de energia?

A nova arquitetura detecta dinamicamente a estrutura do medidor de energia do hardware, diferente de versões anteriores que assumiam uma configuração fixa de RAPL. Isso permite uma atribuição de poder mais realista e precisa em diversas configurações de hardware, com lacunas de atribuição de energia experimentalmente próximas de zero.

Quais são os próximos passos e áreas para contribuição no Kepler?

As prioridades incluem melhorar a atribuição de energia da CPU em bare metal e estender o suporte para VMs. O projeto busca contribuições para monitoramento de energia de GPU, treinamento de modelos de energia para VMs e validação da precisão dos dados, especialmente para workloads de IA e aprendizado de máquina.

Fontes

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Categoria
CEVIU DevOps
Publicado
01 de julho de 2026
Editoria
CEVIU DevOps

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