Um rebranding para uma CEO cega transformou completamente o processo de design desta agência criativa
Aprofundamento CEVIU
Aprofundamento
O rebranding da Onvero não foi só uma nova paleta ou um logo redesenhado. Foi uma reconstrução do processo de design em si, desde a primeira reunião, onde descrições verbais substituíram protótipos visuais, até a entrega final: um sistema tátil com logotipo rastreável à mão, tipografia Lexend (com formas abertas e espaçamento pensado para leitura contínua), cores com contraste WCAG AAA e materiais que comunicam por relevo, textura e até sugestão sonora. Sandi Wassmer, CEO cega desde 2020 e uma das primeiras líderes cegas de ONGs no Reino Unido, não foi consultada como 'usuária teste'. Ela foi coautora, e sua experiência sensorial guiou cada decisão.
Isso coloca o projeto fora da lógica tradicional de acessibilidade como 'adaptação pós-fato'. Aqui, o não visual não foi uma restrição a ser contornada, mas o ponto de partida criativo. A Something Familiar teve que abandonar referências visuais imediatas, treinar linguagem descritiva precisa e construir um vocabulário compartilhado, sem termos como 'leve', 'pesado' ou 'equilibrado', que carregam carga visual implícita. O resultado é um sistema que funciona primeiro para quem não vê, mas que, na prática, é mais claro, menos poluído e mais memorável para todos.
Por que isso importa
Em 2026, 96,3% dos sites ainda falham em acessibilidade, e isso custa bilhões em receita perdida e processos judiciais. Mas o caso da Onvero mostra que a inclusão não é só sobre evitar riscos legais. É sobre expandir o alcance, a clareza e a ressonância emocional de uma marca. Um logotipo que pode ser desenhado de memória com os dedos, uma cor que transmite confiança mesmo sem nomeação visual, uma apresentação que usa ritmo e pausa em vez de slides, tudo isso redefine o que é 'eficaz' em comunicação. Para designers digitais, o recado é prático: se seu processo depende de 'mostrar para validar', ele já está defasado.
Perguntas frequentes
Por que a fonte Lexend foi escolhida para o rebranding da Onvero?
A Lexend foi desenvolvida especificamente para melhorar a legibilidade em pessoas com dislexia, fadiga visual e outras dificuldades de leitura. Suas letras têm formas abertas, contrastes suaves e espaçamento generoso, características que beneficiam não só usuários com deficiência visual, mas qualquer pessoa lendo em telas pequenas, sob luz fraca ou com pressa.
O que significa dizer que o logo é 'facilmente rastreável'?
Significa que sua forma foi simplificada para ser reconhecida ao toque: linhas contínuas, poucos ângulos agudos, bordas arredondadas e proporções equilibradas entre altura e largura. Ele pode ser reproduzido à mão com precisão após uma única exploração tátil, algo essencial para identificação autônoma por pessoas cegas ou com baixa visão.
Como um sistema de marca tátil funciona em meios digitais?
Ele não substitui, mas complementa. No digital, isso se traduz em estrutura semântica impecável, descrições de imagens detalhadas (não só 'logo da Onvero', mas 'círculo com três linhas ascendentes em relevo simulando escada'), navegação por teclado intuitiva e suporte total a leitores de tela. A ideia é que a experiência tátil do impresso reforce uma coerência sensorial que o digital sustenta com clareza técnica.
Esse tipo de rebranding é viável para empresas menores?
Sim, mas exige mudança de mentalidade, não apenas de orçamento. Começar com descrições verbais mais precisas nas briefings, testar layouts com leitores de tela desde a primeira versão e priorizar hierarquia de informação sobre decoração já são passos concretos. O projeto da Onvero prova que acessibilidade bem feita reduz retrabalho, não o aumenta.
Fontes
- creativebloq.comfonte original
- Categoria
- CEVIU Design
- Publicado
- 19 de março de 2026
- Editoria
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