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Dee Juusan: a força narrativa do preto e branco no mangá contemporâneo

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Dee Juusan não usa preto e branco por falta de ferramentas ou orçamento, ela escolheu a dicotomia como linguagem. Em 'Grey is...', cada sombra é um silêncio carregado, cada linha branca é uma pausa respiratória entre traumas não nomeados. Sua formação em arquitetura aparece na composição das páginas: planos, vazios intencionais, ritmo de leitura calculado como planta baixa. Ao contrário do minimalismo imposto que apaga identidades árabes (como denunciado no CEVIU de 4/6), o monocromático dela é ativo, político, recusa a paleta 'neutra' da globalização visual para afirmar uma voz que fala de amnésia seletiva, abuso infantil e cura sem didatismo. Ela desenha com a mesma precisão com que Tom Chung trabalha os limites reais de produção: não como restrição, mas como princípio estruturante.

O mangá jordaniano não é um 'fenômeno emergente': existe desde 2010, com lojas como a 16:9 WIDE:SCREEN sustentando a cena local antes mesmo de 'Grey is...' virar referência internacional. A força de Dee Juusan está justamente nisso, ela construiu uma gramática visual autônoma dentro de um ecossistema que não tinha modelo prévio, sem tentar imitar o Japão nem se submeter ao 'design árabe' estereotipado. Seu contraste alto não é só estética; é estratégia de acessibilidade emocional, onde o olho não se distrai com cor para focar no peso do gesto, na tensão do quadro, na ambiguidade do cinza entre Black e White.

Por que isso importa

Em um momento em que o design digital brasileiro debate hero images com impacto emocional e sistemas de design que priorizam humanidade sobre tendência, a obra de Dee Juusan oferece um case prático de como limitação técnica vira vantagem narrativa. Ela prova que contraste não é só ferramenta de legibilidade (como ensinado no guia de hero images do CEVIU), mas camada de significado, cada retícula digital em 'Grey is...' é uma escolha ética de representação, não um efeito. Isso ressoa diretamente com o trabalho de Raja Nandepu, que também constrói atmosfera com pinceladas expressivas e contrastes, mas em outro espectro cromático: enquanto ele explora a luz como narrativa, ela explora a ausência de cor como revelação.

Linha do tempo

  1. Dee Juusan inicia sua carreira como artista de mangá na Jordânia, após formação em arquitetura

  2. Recebe Grand Prix Runner-Up na Silent Manga Audition com 'a Pure Love'

  3. Ganha Excellence Award na Silent Manga Audition com 'Drawing a Smile Out'

  4. Selecionada pelo Júri no 23º Japan Media Arts Festival

  5. 'Grey is...' recebe Bronze Award no 18º International Manga Award

  6. CEVIU News destaca Dee Juusan como referência de narrativa visual com preto e branco no mangá contemporâneo

Perguntas frequentes

Por que Dee Juusan escolheu o preto e branco se é baseada na Jordânia, e não no Japão?

Ela adotou o monocromático como resposta prática e conceitual: começou em 2010, quando recursos digitais eram limitados, mas transformou essa condição em identidade. O preto e branco permitiu foco absoluto na narrativa visual e na psicologia dos personagens, sem depender de tradução cultural via cor. Também foi uma forma de se distanciar tanto do mangá japonês tradicional quanto do 'design árabe' estereotipado.

O que significa o título 'Grey is...'?

É uma provocação direta à dualidade simplificada. Grey (cinza) representa o espaço entre Black e White, não como neutralidade, mas como território de conflito, memória fragmentada e cura em processo. A série acompanha dois personagens cujos nomes são metáforas: Black, designer com amnésia seletiva, e White, escritor racional, e o cinza é onde suas histórias se entrelaçam, sem resolução fácil.

Como o mangá jordaniano se desenvolveu localmente?

A cena surgiu organicamente após 2010, impulsionada por espaços como a loja 16:9 WIDE:SCREEN, que funcionou como hub de distribuição, oficinas e trocas. Não houve apoio institucional inicial, artistas como Dee Juusan construíram redes informais, traduziram manuais, adaptaram softwares e criaram cursos próprios, como o 'Manga Mastery Camp' que ela ministra hoje na Coloso.

Fontes

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Categoria
CEVIU Design
Publicado
03 de junho de 2026
Editoria
CEVIU Design

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