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Stablecoins não eliminam intermediários, mas redefinem seu papel no cenário de pagamentos

Stablecoins Resignificam Intermediação nos Pagamentos Globais, Atraindo Gigantes Financeiros

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A expectativa de que as stablecoins fossem desintermediar por completo o sistema financeiro tradicional está se mostrando mais complexa. Grandes players do mercado, como Visa, Mastercard, Coinbase e Stripe, não estão esperando serem suplantados; em vez disso, estão ativamente integrando as stablecoins em suas operações. Eles entendem que o processamento de pagamentos vai muito além do simples settlement, abrangendo identidade, prevenção de fraudes, resolução de disputas e, crucialmente, o relacionamento com o cliente. Mudar o trilho de pagamento não significa necessariamente mudar quem detém o cliente, como o CEVIU News já apontou na matéria de 12 de junho de 2026, sobre como a Visa detalha a reestruturação da infraestrutura de pagamentos.

A Visa, por exemplo, elevou seu volume anualizado de settlement de stablecoins para mais de US$ 20 bilhões em setembro de 2026, um crescimento de 15 vezes em um ano. Isso mostra a adoção da tecnologia dentro da infraestrutura existente, mantendo a rede Visa valiosa para aceitação, autorização e controle de fraudes. Já a Mastercard, com sua Wallet Pay, está permitindo que carteiras digitais como Alipay+ e Mercado Pago expandam suas operações transfronteiriças, usando a conectividade global da Mastercard. A Coinbase, por sua vez, está levando a infraestrutura de stablecoins para bancos comunitários através da Moov, permitindo que essas instituições ofereçam novos serviços sem ceder o relacionamento com o cliente, conforme analisado pelo CEVIU News em 30 de abril de 2026. A Stripe, com aquisições estratégicas e investimentos em camadas L1 como a Tempo, busca controlar as rotas de transação na convergência entre cartões, bancos e stablecoins.

O que mudou

O que antes era um posicionamento estratégico e uma visão de futuro, agora é uma realidade palpável. Em junho de 2026, o CEVIU News noticiou que Visa, Mastercard e Stripe estavam unindo forças para construir uma infraestrutura financeira robusta com stablecoins. Hoje, vemos a materialização dessas parcerias e investimentos em ações concretas. A Visa, que em julho de 2026 lançou a Visa Stablecoin Platform, agora celebra volumes de settlement de stablecoins anuais que superam os US$ 20 bilhões, um crescimento de mais de 15 vezes em um ano, demonstrando a rápida escalada da adoção. A Coinbase, que já era vista como plataforma de pagamentos full-stack em abril de 2026, concretiza essa visão ao integrar sua infraestrutura diretamente em mais de mil bancos comunitários via Moov. As aquisições da Stripe (Bridge, Privy) e seu investimento na L1 Tempo marcam uma evolução de simples posicionamento para controle ativo da camada de infraestrutura.

Por que isso importa

A forma como essas gigantes do setor de pagamentos estão se adaptando redefine a batalha pela infraestrutura financeira global. Não é mais uma questão de stablecoins eliminarem os intermediários, mas sim de como os intermediários absorvem e capitalizam essa tecnologia. Isso importa porque a competição agora se desloca para quem consegue oferecer os serviços de valor agregado (identidade, fraude, liquidez, relacionamento com o cliente) de forma mais eficiente, mesmo que o trilho de settlement seja mais barato via stablecoins. No fim, quem controla a interface, quem decide a rota da transação e quem detém o cliente são os pontos-chave de poder e margem neste novo cenário.

Linha do tempo

  1. Stablecoins atingem ponto de inflexão enquanto Coinbase se posiciona como plataforma de pagamentos full-stack.

  2. Stripe, Visa e Mastercard unem forças em torno de stablecoins para construir infraestrutura financeira global.

  3. Visa detalha como as stablecoins estão reestruturando a infraestrutura de pagamentos em seu Payments Forum.

  4. Stablecoins abrem nova frente para bancos patrocinadores consolidarem infraestrutura financeira.

  5. Visa lança a Visa Stablecoin Platform, integrando stablecoins em seus sistemas de pagamento e tesouraria.

  6. Visa expande liquidação em stablecoins e atinge US$ 20 bilhões anuais, um salto de 15 vezes.

  7. Grandes players como Visa, Mastercard, Coinbase e Stripe integram stablecoins, redefinindo o papel dos intermediários.

Perguntas frequentes

Como as stablecoins estão mudando o papel dos intermediários financeiros?

As stablecoins estão alterando o componente de settlement (liquidação) dos pagamentos, tornando-o potencialmente mais rápido e barato. Contudo, os intermediários tradicionais estão se adaptando e integrando essa tecnologia, focando nos serviços de valor agregado que permanecem essenciais, como prevenção de fraudes, gestão de identidade e relacionamento com o cliente. Eles não estão sendo desintermediados, mas sim redefinindo seu papel na cadeia.

Qual é a estratégia da Visa com as stablecoins?

A Visa está incorporando stablecoins diretamente em sua rede para settlement, permitindo que emissores e adquirentes liquidem obrigações em USDC. Isso otimiza a movimentação de fundos enquanto a Visa mantém o controle sobre a aceitação do comerciante, autorização, prevenção de fraudes e resolução de disputas, que são as partes mais difíceis de replicar da sua rede. Em setembro de 2026, seu volume anualizado de settlement via stablecoins já ultrapassa US$ 20 bilhões.

Como a Coinbase está facilitando a adoção de stablecoins por bancos comunitários?

A Coinbase, em parceria com a Moov, está levando sua infraestrutura de stablecoins para mais de mil bancos e cooperativas de crédito comunitárias. Isso permite que essas instituições ofereçam aceitação e settlement de stablecoins aos seus clientes sem precisar construir sua própria pilha de tecnologia cripto separada. A ideia é que os bancos possam absorver a capacidade de stablecoins sem perder o relacionamento com o cliente.

O que a Stripe está fazendo para se posicionar no mercado de stablecoins?

A Stripe está construindo uma infraestrutura robusta através de aquisições, como a Bridge para stablecoins e a Privy para carteiras digitais, e investimentos, como a L1 Tempo. O objetivo é unificar cartões, trilhos bancários e stablecoins sob uma mesma integração, permitindo que a Stripe decida qual trilho será usado para cada transação. Isso dá à empresa um controle estratégico sobre as rotas de pagamento.

Fontes

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Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
15 de setembro de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

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