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Por que stablecoins, sozinhas, não resolverão as remessas globais

Stablecoins Sozinhas Não Resolverão Remessas Globais, Aponta Análise

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

As remessas globais ainda são caras, com uma média de 6,36% do valor enviado, bem acima da meta de 3% da ONU para 2030. Stablecoins, embora eficientes para a movimentação de valor, endereçam apenas uma parte do processo. A transferência internacional tem três etapas: coleta do dinheiro do remetente, movimentação do valor e pagamento ao destinatário.

Analistas apontam que a movimentação do valor, o estágio onde as stablecoins brilham, já era a parte mais barata e rápida. Os verdadeiros gargalos são a coleta e o pagamento, que envolvem licenças locais, contas bancárias, conformidade regulatória e redes de pagamento. Embora a liquidez tokenizada possa consolidar capital que antes ficava ocioso em contas separadas por país, a proliferação de diferentes stablecoins (como Circle, Tether, Stripe Bridge) gera uma nova complexidade, exigindo intermediários como a Better Money, que convertem entre elas. Isso, ironicamente, replica a função de um banco correspondente, adicionando mais uma camada de intermediação.

O que mudou

Em nossa cobertura de 30 de abril de 2026, na matéria "O Problema da Remessa com Stablecoins: O On/Off-Ramp é o Verdadeiro Gargalo", já se apontava que o entrave principal estava na conversão da moeda fiduciária para a stablecoin (on-ramp) e vice-versa (off-ramp). A notícia atual de 4 de setembro de 2026 não só confirma essa visão, mas demonstra a evolução do cenário: o mercado já está reagindo a esses gargalos. A a16z Crypto, por exemplo, investe na Better Money para solucionar a fragmentação entre stablecoins, mostrando que o que era um problema teórico e de usabilidade se tornou um desafio prático que atrai investimentos para a criação de novas camadas de serviço. Isso valida que os desafios de licenciamento e liquidez local são os pontos cruciais a serem resolvidos, não apenas a tecnologia subjacente.

A discussão sobre a dificuldade de adoção no mundo real, abordada em "Stablecoins Resolvem Transferências, Os Passos Ausentes para a Adoção no Mundo Real" de 17 de abril de 2026, ganha contornos mais específicos. Agora, vemos a complexidade real de uma transação como Dubai-Manila, onde apenas uma das seis etapas utiliza blockchain, evidenciando que as soluções precisam ir muito além da camada tecnológica. A complexidade regulatória e a necessidade de capital de giro em várias jurisdições permanecem como barreiras significativas, mostrando que a lacuna entre a tecnologia e a realidade financeira ainda é grande.

Por que isso importa

Compreender que as stablecoins não são a solução mágica para todas as fricções das remessas é vital para o ecossistema cripto. Isso redireciona o foco da inovação para além da mera eficiência da movimentação de fundos on-chain, exigindo que projetos pensem em infraestrutura para coleta e distribuição de valor fiduciário. É essencial construir pontes robustas e reguladas para o mundo real, as chamadas on/off-ramps.

Esta perspectiva pragmática ajuda a evitar expectativas irrealistas sobre a Web3. Ela incentiva o desenvolvimento de soluções que abordem a complexidade regulatória e a necessidade de capital de giro, elementos cruciais que continuam a encarecer as transferências globais. Afinal, a promessa da descentralização precisa se conectar com a realidade de um sistema financeiro global fortemente regulado e fragmentado.

Linha do tempo

  1. Stablecoins Tornam-se Dinheiro do Cotidiano

  2. Stablecoins e a Reconfiguração das Finanças Globais

  3. Stablecoins Resolvem Transferências, Os Passos Ausentes para a Adoção no Mundo Real

  4. O Problema da Remessa com Stablecoins: O On/Off-Ramp é o Verdadeiro Gargalo

  5. A Mensagem e o Dinheiro: Stablecoins

  6. Stablecoins e Pagamentos Transfronteiriços: A Realidade por Trás do Hype

  7. Stablecoins Sozinhas Não Resolverão Remessas Globais, Aponta Análise

Perguntas frequentes

Por que as stablecoins não resolvem sozinhas o problema das remessas globais?

As stablecoins são eficientes para mover valor no meio da transação. No entanto, elas não resolvem os desafios de coleta do dinheiro do remetente e pagamento ao destinatário, que envolvem licenças locais, conformidade e bancos. Estas etapas iniciais e finais são as mais custosas e complexas.

Qual é o custo médio atual das remessas globais e a meta da ONU?

Atualmente, o custo médio para enviar dinheiro através das fronteiras é de 6,36%. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu uma meta de reduzir esse custo para 3% até o ano de 2030, visando tornar as remessas mais acessíveis e eficientes.

O que são os gargalos do on/off-ramp no contexto das stablecoins?

Os gargalos do on/off-ramp referem-se à dificuldade e custo de converter moedas fiduciárias em stablecoins (on-ramp) e vice-versa (off-ramp) para as remessas. Esta etapa é crucial para que o dinheiro entre e saia do ecossistema cripto e requer infraestrutura bancária, conformidade e licenças locais.

Como a liquidez tokenizada pode auxiliar nas remessas?

A liquidez tokenizada permite que o capital, que antes ficava 'preso' em contas bancárias separadas por país, seja consolidado em um único pool. Isso reduz o capital de giro necessário e permite que o dinheiro seja movimentado rapidamente para atender à demanda de diferentes mercados, otimizando o uso dos fundos.

Fontes

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Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
04 de setembro de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

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