Voltar
Blockchains e Mercados Financeiros: Quando Throughput Não é o Suficiente

Blockchain no Mercado Financeiro: Desafios Além do Throughput

Aprofundamento CEVIU

Aprofundamento

A discussão sobre a infraestrutura de blockchain para finanças onchain mudou drasticamente. Por anos, o gargalo era a capacidade bruta da rede, o chamado throughput. A cobertura anterior do CEVIU, como o artigo de 27 de agosto de 2026 sobre o roadmap da Ethlabs, mostrava o foco em acelerar o Ethereum para aumentar sua eficiência. Agora, com throughputs cem vezes maiores em cinco anos e sistemas atingindo dezenas de milhares de transações por segundo (TPS), o foco se moveu para a microestrutura do mercado.

Questões como a previsibilidade da inclusão de transações e a ordem em que elas são processadas se tornaram cruciais. A incerteza milissegundos na inclusão de transações força os formadores de mercado a ampliar seus spreads, elevando os custos para todos, um problema que o CEVIU já explorava em 19 de fevereiro de 2026 com o título “A Seleção Adversa É o Problema Estrutural Central do Mercado DeFi”, alertando sobre a extração de valor por MEV searchers. Pesquisadores da a16z propõem o conceito de Strong Chain Quality, um avanço que busca coibir o controle de um único ator na inclusão de blocos, reservando espaços para transações via rotas de rede alternativas. Isso complementa o esforço da Arc, destacado em 17 de julho de 2026, de erradicar o mempool público e prevenir ataques de front-running, garantindo maior privacidade e velocidade.

O que mudou

A evolução mais notável é a mudança de prioridade. Se antes o foco estava em aumentar a velocidade e capacidade de processamento, agora a discussão avança para a qualidade dessa capacidade. O throughput deixou de ser o principal desafio, tornando-se uma linha de base. Em vez de se perguntar 'quantas transações a rede aguenta?', a pergunta agora é 'com que previsibilidade e equidade essas transações são processadas?'.

O que era um problema explorado (MEV e seleção adversa, conforme nossa cobertura de 19 de fevereiro de 2026) se tornou uma falha estrutural reconhecida, exigindo soluções de protocolo mais sofisticadas. As propostas de Strong Chain Quality e o uso de criptografia de limiar e timelock para privacidade antes da execução são exemplos de como a indústria amadureceu, movendo-se de 'consertar o básico' para 'refinar o sistema para mercados financeiros exigentes'.

Por que isso importa

A capacidade de processamento (throughput) abriu a porta para as finanças onchain, mas a microestrutura de mercado é o que vai determinar se Wall Street realmente entrará. Instituições financeiras não podem operar em um ambiente onde a execução é imprevisível ou a privacidade não é garantida. O CEVIU já mostrava em 27 de março de 2026 o crescente interesse de Wall Street pela blockchain, com a DTCC visando a tokenização de títulos do Tesouro.

Sem garantias de execução previsível, regras de prioridade claras e confidencialidade antes da execução, a demanda institucional não será plenamente atendida. As soluções em desenvolvimento são cruciais para que a blockchain se torne uma infraestrutura financeira central e confiável, construindo a ponte definitiva entre o TradFi e o universo Web3.

Linha do tempo

  1. CEVIU News: A Seleção Adversa É o Problema Estrutural Central do Mercado DeFi

  2. CEVIU News: O Paradoxo de Jevons Chega ao Setor Financeiro

  3. CEVIU News: Por que Wall Street está migrando para a Blockchain

  4. CEVIU News: Arc Revoluciona Privacidade e Velocidade em Transações Cripto com Nova Abordagem para Mempool

  5. CEVIU News: Robinhood Chain Alcança Marco de Transações e Desafia Regulamentação dos EUA com Ações Tokenizadas

  6. CEVIU News: Ethereum acelera: roadmap da Ethlabs promete maior eficiência e agilidade na blockchain

  7. CEVIU News: Blockchain no Mercado Financeiro: Desafios Além do Throughput

Perguntas frequentes

O que é 'Strong Chain Quality' e por que ela é importante?

Strong Chain Quality é um conceito proposto para garantir que o acesso à inclusão de transações em um bloco não dependa de um único operador. Ela visa reservar partes de cada bloco para transações enviadas por rotas de rede alternativas, reduzindo o controle centralizado e promovendo um acesso mais resiliente para os participantes do mercado.

Como a privacidade de transações antes da execução é endereçada nas finanças onchain?

Protocolos estão explorando técnicas de criptografia como timelock e criptografia de limiar. Isso permite ocultar o conteúdo de uma transação até que ela seja finalizada ou que um prazo específico expire, impedindo que operadores privilegiados a explorem antes que ela seja liquidada no bloco.

O que mudou no foco das discussões sobre blockchain para finanças?

Antes, o principal gargalo era o throughput, a capacidade de transações por segundo. Agora, com o throughput muito melhorado, o foco mudou para a microestrutura do mercado, ou seja, a previsibilidade da inclusão de transações, as regras de ordenação e a confidencialidade antes da execução, problemas detalhados por nós em fevereiro de 2026 sobre a seleção adversa em DeFi.

Por que o MEV é um problema estrutural para os mercados financeiros onchain?

O MEV (Extração de Valor Máximo) permite que validadores ou outros participantes reordenem, incluam ou excluam transações dentro de um bloco para seu próprio benefício. Isso cria um acesso privilegiado similar ao dos mercados tradicionais, forçando formadores de mercado a aumentar spreads e prejudicando a equidade e previsibilidade necessárias para a participação institucional.

Fontes

Avalie este artigo:
Categoria
CEVIU Cripto
Publicado
07 de setembro de 2026
Editoria
CEVIU Cripto

Quer receber mais sobre CEVIU Cripto?

Conteúdo curado diariamente, direto no seu e-mail.

Conteúdo curado diariamenteDiversas categoriasCancele quando quiser